Rio prepara novo salto na produção de carros

Com novos investimentos em fábricas, Estado se consolida como novo polo automotivo

GLAUBER GONÇALVES, RIO, RESENDE, PORTO REAL (RJ), O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h06

A poucos minutos da divisa com São Paulo, o polo automotivo do sul do Estado do Rio vem atraindo investimentos bilionários. Quarto maior produtor de veículos do Brasil, posto que atingiu em 2010 após ultrapassar Rio Grande do Sul e Bahia, o Rio se prepara para mais um salto e pode tomar do Paraná o terceiro lugar entre os maiores fabricantes - depois de São Paulo e Minas.

O fôlego para isso deve vir principalmente de um potencial investimento da Nissan na construção de uma fábrica em Resende, que pode chegar aos R$ 2 bilhões. A decisão foi tomada recentemente, garantem fontes ligadas às negociações. O plano da empresa é começar as obras em março do ano que vem e iniciar a produção em 2013. A capacidade será de 200 mil veículos por ano. A empresa, porém, não confirma as informações.

A escolha do Rio em detrimento do Paraná, onde a Nissan já tem uma fábrica, teria contado com um empurrão dos sindicalistas, apontam executivos do setor. A queda de braço entre as companhias e representantes dos trabalhadores do Estado sulino por aumentos bem acima da inflação teria influenciado a Nissan a optar pelo Rio.

O aporte esperado da Nissan, ao lado de novos investimentos que a PSA Peugeot Citroën e a MAN/Volkswagen Ônibus e Caminhões pretendem fazer na região, anima o governo do Rio, que já fala em "ABC fluminense", numa referência ao ABC paulista, berço da indústria automobilística nacional.

As primeiras montadoras se instalaram nos municípios no entorno de São Paulo ainda na primeira década do século 20. Porém, a região se consolidou como o grande centro da indústria automobilística brasileira nos anos 50, com o estímulo dado pelo então presidente Juscelino Kubitschek ao desenvolvimento do setor. Com 15 anos, o polo do Rio é bem mais modesto em produção, mas impressiona pelo avanço em tão pouco tempo, ultrapassando outros Estados.

Pioneira. Em 1996, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, hoje MAN, foi a primeira empresa do setor a se instalar no sul fluminense. Desde então, a produção total pulou de 1.200 unidades para 70 mil em 2011. No chão de fábrica, engenheiros dão os ajustes finais nos caminhões extra-pesados que começaram a ser fabricados numa linha de produção recém finalizada, um investimento de R$ 150 milhões.

Os novos veículos, primeiros da marca MAN feitos aqui, chegam ao mercado em janeiro. Mas a empresa não quer perder tempo. O presidente, Roberto Cortes, está debruçado sobre novos planos de ampliação da unidade, que devem contemplar novos produtos. Até 2013, a capacidade deve chegar a 100 mil unidades ao ano. O valor do investimento ainda não está definido.

A unidade de Resende está organizada em sistema de consórcio modular. Pelo modelo, os fornecedores ficam dentro da unidade e participam da montagem dos veículos. Cada empresa atua em um módulo diferente, separado dos demais por uma linha traçada no chão da indústria. No entanto, a necessidade de aumentar a produção fez com que a MAN decidisse transferir parte das atividades dos parceiros de dentro da fábrica para um parque de fornecedores.

ArvinMeritor, Maxion e Suspensys são as três primeiras a se instalar no local, com investimentos que somam R$ 85 milhões, que devem gerar 700 empregos. As unidades passarão a produzir componentes no local e devem ficar prontas até 2012. Além de atender a MAN, as empresas poderão fornecer a outros clientes.

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