Rio Tinto desiste de fechar preço com a China

A mineradora Rio Tinto desistiu de fechar um preço anual fixo para o minério de ferro com as siderúrgicas chinesas, informou a empresa ontem. Mas a companhia negou que isso se deve à detenção de seus negociadores na China, acusados de espionagem comercial. A notícia não surpreendeu os analistas dada a intransigência de ambos os lados, sendo que a empresa insistia na redução de 33% fechada com usinas japonesas e sul-coreanas em maio, enquanto a China queria um corte maior.

Reuters, SYDNEY, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

O anúncio mostra que a Rio Tinto não está correndo de volta à mesa de negociações mesmo depois de os preços "spot" do minério caírem 25% em relação ao pico de 2009, e sugere que há um crescente risco de as negociações deste ano nunca terem uma conclusão formal - mais um desgaste ao sistema que já dura 40 anos.

A Australian Associated Press noticiou que o diretor de minério de ferro da Rio Tinto, Sam Walsh, disse que as negociações haviam sido suspensas por causa da controversa detenção de quatro funcionários da Rio Tinto em Xangai - incluindo o principal negociador, Stern Hu - por suposta espionagem comercial. "Neste momento não estamos negociando. Lembre-se que tivemos nossos negociadores detidos" A versão foi negada por um porta-voz da empresa. "Sam Walsh admitiu que não há negociações efetivamente neste momento. O preço referencial foi determinado há meses", disse. "Não tem nada a ver com Stern."

A Rio Tinto e as outras australianas BHP Billiton e Fortescue Metals têm dito que a mineração e o embarque para a China não foram afetados pela detenção dos funcionários, e dados de frete mostram que o tráfego continua em ritmo acelerado, apesar de uma rápida pausa. Independentemente do motivo, a ausência de um acordo de preços com os chineses está se tornando menos relevante já que o minério está sendo "provisoriamente" precificado de acordo com o que foi fechado com japoneses e sul-coreanos.

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