Rio Tinto e Chinalco fazem acordo de minério de ferro de US$ 1,35 bi

Projeto para mina de Simandou, na Guiné, prevê produção de, ao menos, 70 milhões de toneladas por ano

Danielle Chaves, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 10h49

A Rio Tinto tomou um passo na direção de recuperar as ligações com seu maior acionista, a Aluminum Corp. of China (Chinalco), com um acordo de US$ 1,35 bilhão para desenvolverem juntas o grande projeto de minério de ferro Simandou, na Guiné.

 

A mineradora anglo-australiana, que atualmente possui 95% do projeto de Simandou, vai transferir o controle para uma joint venture com a Chinalco, que pagará US$ 1,35 bilhão por uma fatia de 47%. Boa parte dos esforços da China para garantir recursos naturais para suas indústrias se concentra em minério de ferro, que é objeto de negociações cada vez mais ásperas entre mineradoras globais e siderúrgicas chinesas.

 

A produção esperada na mina de Simandou é de, ao menos, 70 milhões de toneladas por ano. A Chinalco afirmou que as duas partes também vão criar uma companhia de vendas conjunta para entregar minério de ferro para o mercado chinês. A mina de Simandou tem reservas estimadas em mais de 2,25 bilhões de toneladas de minério de fero de grau 66%-67%, considerado de alta qualidade.

 

O acordo é anunciado em um momento crucial para as relações entre a Rio Tinto e a China, onde, na segunda-feira, quatro funcionários da mineradora serão julgados por acusações de roubo de segredos comerciais e pagamento de propina. Hoje um porta-voz do departamento de relações exteriores e comércio da Austrália disse que a China vai permitir que autoridades australianas tenham acesso ao tribunal apenas nas partes do julgamento relacionadas a pagamento de propina.

 

As relações entre a Rio Tinto e a Chinalco se deterioraram dramaticamente em junho do ano passado, depois de a Rio Tinto desistir de uma aliança de US$ 19,5 bilhões com a companhia chinesa, seu maior acionista - com 9,3% de participação -, em favor de uma emissão de direitos e uma joint venture com a também anglo-australiana BHP Billiton. Os quatro funcionários da Rio Tinto foram presos em julho. As informações são da Dow Jones.

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