Felipe Panfili/Rio2C
Felipe Panfili/Rio2C

Rio2C se transforma em vitrine para conteúdo nacional

Evento que vai dobrar de tamanho, com mais de mil palestras sobre criatividade e inovação, vira plataforma de lançamento para programas nacionais; Netflix deve ser ‘estrela’ de 2019

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2019 | 05h00

O Rio Content Market, desde o ano passado, passou a se chamar Rio Creative Conference, ou Rio2C. Agora, cresce e ganha um escopo que não caberia nas apertadas salas de hotéis que abrigaram a conferência até dois anos atrás. 

Neste ano, em termos de conteúdo, o evento vai dobrar de tamanho: o total de palestras vai passar de 492 para mais de mil. “Ampliamos o nosso escopo”, diz Rafael Lazarini, que assumiu a empreitada no ano passado e transferiu os debates e discussões para a Cidade das Artes, na Barra da Tijuca.

Neste ano, a lista de presenças evidencia que o evento se tornou uma plataforma de lançamento preferencial para conteúdos nacionais, como séries e reality shows. Depois de uma presença discreta no ano passado, a Netflix deverá ser a estrela de 2019: com participação em pelo menos cinco palestras entre quarta e sexta-feira, o serviço de streaming, que tem quase 150 milhões de clientes no mundo, deve anunciar séries no País e dar mais detalhes de conteúdos já divulgados, como Sintonia, dirigida por Kondzilla.

O diretor de conteúdo do serviço de streaming, Ted Sarandos, deverá exercitar seu lado “showman” durante o Rio2C. Ele estará no Rio a partir de amanhã para reuniões e para preparar a palestra que está marcada para às 9h de quarta-feira. Ao longo de quarta e quinta, outros executivos falarão sobre a lógica de seleção de conteúdos e sobre a estratégia de marketing da companhia. Procurada para falar sobre sua presença no evento, a Netflix não retornou os contatos da reportagem.

“Essa chancela da Netflix neste ano é muito importante para a gente”, diz Lazarini, que, antes de encampar o evento, passou 12 anos em Los Angeles, trabalhando na indústria criativa. “Essa presença mais forte também mostra que a plataforma elegeu o Brasil como mercado relevante. Isso mostra que os grandes players sabem que, para serem relevantes mundialmente, precisam estar presentes aqui.”

A possibilidade de aproximação com grandes plataformas – não só Netflix, mas HBO, Paramount, Universal, Warner e Globoplay têm painéis programados ao longo da semana – é o que atrai as produtoras para o evento, que abraçou de vez sua função de ajudar a “casar” conteúdos com possíveis compradores, facilitando o fechamento de negócios.

Em 2018, de acordo com Lazarini, foram fechados cerca de R$ 150 milhões em acordos de produção e distribuição no Rio2C. Em 2019, o braço do evento destinado ao fechamento de negócios fez um cadastro prévio de propostas de conteúdo, que serão apresentadas a potenciais compradores – incluindo Netflix e Amazon Prime – durante encontros em que produtores terão 20 minutos para vender suas ideias. Mais de 1,5 mil desses “pitchings” foram marcados para os seis dias do evento. “É uma oportunidade concreta de venda”, diz.

Lazarini, que foi jurado no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2018, evento que tem o Estadão como representante oficial no País, ampliou o espaço das marcas dentro do Rio2C. Em parceria com o Meio & Mensagem, desenvolveu a Casa das Marcas, vertical dedicada a conteúdos que discutem como as empresas podem se inserir dentro de uma proposta criativa. “Achamos que o mercado publicitário discute muito a questão da presença das marcas, mas identificamos que faltava debate capitaneado por produtores de conteúdo.”

Tecnologia

A questão da tecnologia também se tornará mais relevante no setor de conteúdo, pois as plataformas querem cada vez mais prever o que o consumidor quer assistir. O uso de algoritmos deverá ser uma ferramenta relevante em um momento em que a briga dos serviços de streaming está esquentando, com a entrada do Disney+ no mercado até o fim do ano e a chegada da plataforma da Warner Media (que deverá incluir conteúdos da HBO), a ser anunciada nos próximas meses. Correndo por fora, o Apple TV+ e o Facebook Watch evidenciam o interesse das gigantes de tecnologia pelo setor.

Neste ano, dentro dos debates ligados à tecnologia, haverá até espaço para o blockchain, sistema que garante a segurança de operações por meio de códigos únicos de validação.

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