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Rios Madeira, Tapajós e Xingu estão excluídos dos projetos

Secretário do ministério diz que construção de diques nesses rios causaria muito impacto ao meio ambiente

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2014 | 02h05

Os Rios Madeira, Tapajós e Xingu, que opõem ambientalistas e dirigentes do setor elétrico, não serão alvo de usinas com grandes reservatórios, promete o secretário de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho.

"No Madeira, Xingu e Tapajós, estamos fazendo o que é possível fazer. Esses rios da Amazônia são rios de planície, com regularidade pequena. Um grande reservatório exigiria a construção de diques, com muito impacto ao meio ambiente", diz o secretário.

"Pelas características topográficas, tendem mesmo a ter apenas usinas a fio d'água. Não se conseguiria fazer um reservatório como o de Sobradinho nessa região", acrescenta Ventura Filho.

A hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, prevista para ter capacidade de 8.040 megawatts (MW) e um reservatório de 729 km², está classificada como "usina com reservatório" no Plano Decenal de Energia, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em fase de consulta pública.

Questionada pelo Estado sobre a classificação, a EPE informou que se tratava de um erro. A autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia declarou que São Luiz é mesmo uma usina a fio d'água e que corrigiria a informação contida no plano.

Afluentes. O fato de o governo não desenhar grandes reservatórios para os rios amazônicos não significa que a cúpula do setor elétrico tenha aberto mão do potencial de seus principais afluentes.

É o que ocorre com o Rio Teles Pires - tributário do Tapajós - que já foi escolhido para hospedar a usina de Sinop e sua barragem de regularização.

"Há casos intermediários, e Sinop é um exemplo disso. Estamos trabalhando em novos inventários, sabemos que existem possibilidades de mais usinas com esse perfil", diz Ventura Filho, sem mencionar quais outros rios poderiam receber o mesmo tipo de projeto.

O maior reservatório hidrelétrico construído até hoje no Brasil está em Sobradinho, erguida 40 anos atrás.

O lago virou canção ao colocar debaixo d'água 4,2 mil km² de área no entorno do Rio São Francisco, engolindo os municípios baianos de Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado.

É água suficiente para inundar seis municípios capitais de Estado de uma só vez: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.

Apesar do estrago ambiental, diz Ventura Filho, Sobradinho permitiu a construção de usinas a jusante (abaixo da barragem principal), que hoje se abastecem de sua capacidade, como Itaparica, Xingó, Paulo Afonso e Moxotó.

"Hoje, o Rio São Francisco e o Rio Paraná são rios regularizados, do ponto de vista energético. Mas não temos como fazer projetos desse porte na Amazônia. Para quem defende os grandes reservatórios hoje, seria muito interessante se dissesse onde", afirma o secretário do Ministério de Minas e Energia. / A.B.

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