Risco Brasil cai para nível recorde, dólar recua e Bolsa sobe

Nesta quarta-feira, o risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - caiu 12 pontos para 302 pontos base, batendo recorde histórico com a menor pontuação desde que começou a ser medido pelo JP Morgan.A queda do risco já era esperada depois que o Brasil decidiu antecipar o pagamento de sua dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), além da confirmação de estabilidade econômica pelos indicadores macroeconômicos.Esta taxa representa o prêmio que os investidores pedem para negociar os títulos da dívida brasileira. Neste patamar significa que os investidores pagam um prêmio de 3,02 pontos porcentuais acima dos juros dos títulos norte-americanos, considerados sem risco.Para se ter uma idéia, no período mais crítico, quando o presidente Lula já tinha sido eleito, mas ainda se esperavam as suas primeiras decisões, o risco Brasil chegou a 12 mil pontos.Dois dias de quedaNo mercado de câmbio, depois de nove altas consecutivas, o dólar acumula baixa de 3,15% em dois dias. Nesta quarta-feira, a moeda norte-americana fechou em queda de 1,66%, em R$ 2,3070, a segunda consecutiva e deve manter-se em trajetória de baixa. O dólar oscilou hoje entre a mínima de R$ 2,3050 (-1,75%) e na máxima de R$ 2,3350 (-0,47%).A mudança de sentimento é tão forte que na segunda-feira falava-se em dólar em R$ 2,50 no final do ano, e agora já se especula que a moeda não terá fôlego para encerrar 2005 acima dos R$ 2,30. Esta mudança de opinião acontece diante dos sinais dados pelo Banco Central.No início da semana, a percepção era de que a instituição continuaria atuando fortemente no mercado de câmbio, com compras de dólar à vista e operações no mercado futuro. Na terça-feira e hoje, percebe-se que a atuação do BC continuará, mas de forma menos intensa. Mercado de açõesA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de alta, com forte giro financeiro. O Índice Bovespa - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - fechou em alta de 1,36%, com 33.517 pontos. Operou entre a máxima de 33.553 pontos (+1,47%) e a mínima de 33.068 pontos (+0,01%). Com esse resultado, a Bolsa passou a acumular altas de 5,02% em dezembro e de 27,95% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ 3,076 bilhões.A volta do capital estrangeiro também foi comentada nas mesas de operações. De acordo com informações da bolsa paulista, até o dia 16 de dezembro (sexta-feira), o saldo da conta de capital externo era positivo em R$ 643 milhões. E, no dia 19 (segunda-feira), teriam ingressado cerca de R$ 335 milhões, de acordo com informações de fontes do mercado de ações.

Agencia Estado,

21 de dezembro de 2005 | 18h55

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