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Risco Brasil cresce por causa da economia e não da política, diz Ibef

Uma mesa redonda realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) mostrou que tanto a Standard & Poor´s quanto SR Rating deixaram claro que a perspectiva negativa nas notas de classificação de risco do Brasil decorre dos crônicos problemas fiscais e de balanço de pagamentos. "Regina Nunes e Paulo Rabello, da Standard & Poor´s e da Atlantic, procuraram deixar claro que as pesquisas sobre as eleições não têm sido um fator preponderante para a perspectiva negativa", diz o presidente do Ibef, Carlos Alberto Bifulco.Segundo ele, Paulo Rabello de Castro adiantou, "em primeira mão, que a SR Rating acaba de passar a tendência da nota de risco soberano do Brasil de "estável" para "negativa". O texto da SR Rating detalhando as razões da mudança da tendência será divulgado pelo site da agência nesta quarta-feira.DesviosA diretora geral da Standard & Poor´s, Regina Nunes, afirmou que não há espaço para desvios de políticas antes ou depois das eleições. Segundo ela, as vulnerabilidades fiscais requerem políticas com compromisso constante de redução de dívida e deixam pouco espaço para relaxamento na política fiscal.Bifulco fez um resumo dos debates e enviou uma cópia aos associados do Ibef e aos convidados. A Agência Estado teve acesso a uma das cópias. O encontro foi realizado no dia 6, à noite, em São Paulo. Para o presidente do Ibef, a eleição torna-se um evento-chave para o Brasil.A perspectiva poderia voltar a ser "estável" para a Standard & Poor´s desde que as políticas monetária e fiscal mantenham-se sob controle e que a agenda de reformas possa avançar no próximo governo. Por outro lado, as notas podem ser rebaixadas pela agência se a política econômica não der respostas adequadas diante de mudanças nas condições econômicas globais. NegativosNo relato de Bifulco, a representante da Standard & Poor´s dividiu os aspectos negativos do Brasil em três partes: endividamento elevado, vulnerabilidade externa e fraquezas estruturais da economia. Quanto ao endividamento, Regina citou que a dívida bruta do governo geral atingirá cerca de 70% do PIB em 2002/2003 e a projeção de juros está acima de 8% do PIB em 2002, o que significa 25% das receitas.Sobre a vulnerabilidade externa, Regina ressaltou que a dívida externa é projetada em 250% das exportações em 2002/2003, o dobro dos países que estão na mesma categoria de risco (duplo B) do que o Brasil. As necessidades brutas de financiamento em 270% das reservas em 2002 também é elevada em comparação aos países com risco duplo B.Quanto às fraquezas estruturais da economia, a Standard & Poor´s leva em consideração principalmente o regime tributário distorcido e a rigidez fiscal, que prejudicam a competitividade e o potencial de crescimento de exportações.Além disso, outro fator negativo são as pensões generosas no setor público, que limitam os programas sociais e alimentam a má distribuição de renda.PositivosPor outro lado, o principal aspecto positivo em relação ao Brasil, segundo a Standard & Poor´s, é a administração consistente dos fatores macroeconômicos. Entre eles, Regina citou o regime de câmbio flutuante, o sistema de metas de inflação, os três anos de consolidação fiscal e o superávit primário do governo, projetado em 2,9% do PIB para 2002/2003. Já Paulo Rabello de Castro disse que o comitê de classificação da SR Rating alertou que os riscos no pagamento das dívidas em moedas estrangeira e local permanecem os mesmos, respectivamente duplo B negativo e duplo B positivo.Ele apresentou as condições para melhoria da nota do Brasil, conforme os critérios da SR Rating: taxa de crescimento das exportações em 10% ao ano, taxa de investimento em 22% do PIB, participação máxima de 15% dos títulos cambiais na dívida mobiliária federal e inflação abaixo de 5% ao ano.

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