Risco causou fracasso do leilão da Cesp, diz especialista

Adriano Pires avalia que falta de financiamento do BNDES não prejudicou interesse na companhia

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

25 de março de 2008 | 18h27

Não foi por falta de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que o leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) fracassou, de acordo com o especialista em energia Adriano Pires. De fato, o BNDES não ofereceu financiamento, mas Pires entende que o governo estadual se precipitou em lançar o edital sem ter resolvido previamente uma questão de risco regulatório para os potenciais compradores. Veja também:Sem interessados, leilão da Cesp fracassa mais uma vez O problema apontado por Pires é que dois terços da capacidade de geração da Cesp vêm das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, cuja concessão, de responsabilidade do governo federal, vai só até 2015, quando deve ser realizado outro leilão referente só a geração dessas duas usinas. "Uma empresa não vai pagar R$ 6 bilhões agora no leilão para o Estado, que com o tag along (direito dos minoritários que também quiserem vender suas ações) pode ir R$ 15 bilhões, e se arriscar a ter que pagar de novo em 2015", disse Pires. O BNDES não se manifesta sobre o leilão da Cesp, cancelado nesta terça porque os interessados não apresentaram garantias financeiras para participar. A área de infra-estrutura, com destaque para o setor de energia, já é a maior responsável pelos desembolsos do banco. A instituição federal tem em carteira vários projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e boa parte deles é de energia. No caso da privatização da Cesp pelo governo de José Serra, do PSDB, o BNDES não anunciou disposição de financiar. A política do banco tem sido de incentivar o aumento de capacidade de geração, transmissão e distribuição de energia e, no caso da Cesp, o entendimento é que isso não estava em questão. Caso bem sucedido, o leilão faria apenas uma transferência de controle acionário. Esse teria sido o motivo principal da instituição para não conceder apoio financeiro e não questões políticas como a rivalidade entre petistas e tucanos, acirrada em ano de eleições municipais. Já Pires disse que não conhece nenhuma legislação que impeça o BNDES de financiar projetos do setor que não envolvam energia nova. De acordo com ele, o apoio do banco à privatização da Cesp seria positivo e acabaria se refletindo em futuro aumento de investimento porque as empresas que assumissem o controle da estatal "teriam interesse total em ampliar esse parque". Para ele, o fracasso do leilão "é uma pena".

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