Risco de apagão está afastado no País, diz Tolmasquim

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse nesta quinta-feira em audiência pública na Câmara dos Deputados, que não há risco de racionamento energético nos próximos anos. Ele reconheceu que há,no entanto, um problema de aumento de custo da energia elétrica. A preocupação com o preço cada vez mais alto da energia nova que vem sendo colocada no mercado foi abordada também por associações de geradores e distribuidores de energia presentes no debate. A diretora-executiva da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), Sílvia Calou, previu que até 2010, haverá aumento de R$ 6,00 por megawatt (MW) na tarifa de energia, por causa do aumento do uso de fontes térmicas, como o óleo e o carvão, que são mais caras do que a hidroeletricidade. Segundo ela, os principais fatores de encarecimento serão a redução da oferta de gás, restrições sócio-ambientais para a construção de novas hidrelétricas e questões tributárias e problemas com reservas indígenas. Tolmasquim observou que a dificuldades de se conseguir licenças ambientais para a construção de hidrelétricas têm aumentado o uso energia térmica. "Quanto mais demorarmos a viabilizar os projetos hidrelétricos, mais cara ficará a energia. Não tem milagre", afirmou. Ele disse que, em nome do meio ambiente, o Brasil corre o risco de perder uma posição de destaque no mundo, porque 44% de energia provêm de fontes renováveis, e, aumentando a produção térmica, virar um grande vilão na emissão de gás carbônico. O presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, disse que até 2017, para atender o crescimento do consumo, serão necessários 2.800 MW por ano em energia nova. "Temos que agregar ao sistema (o equivalente a) três usinas de Itaipu." Neiva disse que é preciso buscar soluções para compensar os impactos sócio-ambientais produzidos pelas hidrelétricas. "Porque o crescimento do consumo é inevitável, tendo usina ou não." O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, disse que os reservatórios das hidrelétricas podem chegar a 2010 com níveis muito baixos, porque essa energia será muito demandada nos próximos anos para se evitar eventuais racionamentos. O uso intensivo das atuais hidrelétricas seria resultante das dificuldades sócio-ambientais para a construção de novas usinas, a ausência de estudos de novos projetos nos anos anteriores e a falta de gás natural para as termelétricas."Isso nos leva a uma situação paradoxal, em 2010, quando aí sim teremos gás, os reservatórios poderão estar vazios", afirmou. Nesse contexto, Kelman explicou que usinas de grande porte, como as duas hidrelétricas do Complexo do Madeira, em Rondônia, adquirem relevância. Segundo ele, essas usinas, que ainda não têm licença prévia, terão um impacto local reduzido. "São usinas quase a fio d´água", afirmou. Kelman disse que enquanto essas usinas não entrarem em operação o sistema terá que lançar mão de energia produzida por termelétricas movidas a óleo, carvão ou gás, que é mais cara que a energia hidrelétrica. Ele alerta para o fato de que a energia produzida por termelétricas contribui para aumentar o aquecimento global. "Ao nos preocuparmos, talvez exageradamente com o impacto local, que é o impacto da construção das usinas hidrelétricas, nós acabamos admitindo que haja impacto global de maior dimensão", afirmou.

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