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Risco de guerra comercial concentra preocupações de dirigentes no Fórum Mundial

Assunto foi alvo de vários debates ao longo do dia e o presidente Michel Temer ameaçou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso o Brasil não consiga um acordo

Altamiro Silva Junior, André Ítalo Rocha, Eduardo Laguna e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 20h25

O temor de uma guerra comercial na economia mundial após os Estados Unidos decidirem elevar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio dominou as preocupações de dirigentes e empresários que participaram dos debates do primeiro dia do Fórum Econômico Mundial em São Paulo. O assunto foi alvo de vários debates ao longo do dia e o presidente Michel Temer ameaçou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso o Brasil não consiga um acordo "amigável" com Washington.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que a sobretaxa anunciada por Donald Trump aumentou a chance de uma guerra comercial entre países. Mas o brasileiro disse acreditar na possibilidade de um diálogo para mitigar os impactos da medida tomada pelo presidente dos EUA. O diálogo com a Casa Branca, reforçou Azevêdo, pode evitar atritos irreversíveis entre as economias.

A falta de negociações com os EUA pode trazer consequências negativas para a economia mundial, avaliou o brasileiro. "Se houver efetivamente uma situação de quebra de diálogo e adoção de medidas unilaterais em retaliação, isso me preocupa porque pode causar um efeito dominó que é difícil de prever a extensão e a duração", disse Azevedo a jornalistas durante o Fórum, onde participou de dois painéis.

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Na disputada plenária de abertura do Fórum, Temer disse que vai ligar para Trump para discutir a sobretaxação do aço e alumínio nos Estados Unidos, medida que atinge em cheio a indústria siderúrgica brasileira. O presidente declarou que a taxação é motivo de grande preocupação, mas que precisa ser tratada com "muito cuidado", dado que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

Com o mesmo objetivo de buscar o diálogo com Washington, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, enviou uma carta ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, para pedir um entendimento sobre a questão. Na carta, Nunes pediu uma audiência com o colega dos EUA para estabelecer um canal de conversação entre os dois países. O ministro afirmou que o governo brasileiro espera excluir a maioria dos produtos brasileiros da taxação. "Protecionismo é um atraso de vida, nós vamos nos defender dentro das regras do comércio internacional", disse ele.

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"Espero e torço para que o mundo não entre em guerra comercial", afirmou durante debate o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele ressaltou que ainda há muitas dúvidas sobre o que os EUA gostariam de negociar na questão do aço. "O governo americano fala em negociações, mas a questão é: que tipo de negociações eles querem? O que eles querem negociar?", questionou o ministro. Os EUA elevaram as tarifas de importação do aço para 25% e do alumínio para 10%.

Meirelles também reiterou, assim como Temer, que o governo brasileiro considera a possibilidade de recorrer à OMC. "Estamos pensando no que vamos fazer, mas vai depender do que os outros países vão fazer, se vamos de forma conjunta ou não", declarou.

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O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que participa de vários painéis do evento, pregou uma política de livre comércio entre países e criticou a decisão de Trump. "Não podemos concordar com medidas protecionistas", disse ele. O Fórum reúne mais de 750 participantes de 70 países em São Paulo e termina nesta quinta-feira, 15.

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