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Risco de hiperinflação ronda a Argentina

A Argentina poderá chegar ao final do ano com uma inflação acima de 80%, segundo as projeções de vários economistas ouvidos pela Agência Estado. A maioria teme a volta da hiperinflação e considera que este risco está cada vez mais próximo. O IPC de abril em 10,4%, divulgado oficialmente ontem, não surpreendeu mas aumentou a preocupação sobre a escalada dos preços no país. Em apenas quatro meses o dólar subiu 220%; os preços ao consumidor acumulam um aumento de 21,1%; ao produtor, os preços somaram-se uma alta de 60,7%. Para o economista da Espert e Associados, Jose Luis Espert, a inflação chegará a 100% para o consumidor e 300% ao produtor. Segundo seus cálculos, a desvalorização do peso será de 50% a 60% e o perigo da hiperinflação é iminente. "A única forma de evitar este desastre é realizar o que eu venho defendendo há anos, um drástico ajuste de US$ 5 bilhões nos gastos da União e outros US$ 6 bilhões nas províncias". O economista faz uma ressalva, no entanto, ao dizer que com a grave situação social, fazer mais cortes é inviável. Carlos Pérez, da Fundação Capital alerta para o fato de que a metade do IPC está nos bens comerciais e a outra metade nos serviços que ainda não foram reajustados. "Quando o ajuste dos serviços chegar, daí para adiante a inflação será muito maior", afirma Pérez com o cuidado de apresentar três medidas para tentar evitar a processo inflacionário. "Uma delas é conjuntural-política de freiar o aumento dos serviços, seguida pela contenção da evolução dos salários e, por último, a de maior peso para evitar a inflação é a estabilidade do câmbio", receita o economista. Carlos Pérez diz ainda que a estabilidade da moeda somente será possível se houver uma política fiscal austera e monetária rígida. Em um cenário otimista, ele estima que se a Argentina chegar no final do ano com o dólar em 3,50 pesos e com os salários controlados, a inflação será de 80%.O diretor da consultoria Examte, Aldo Abram, também projeta a cifra de 80% para a inflação anual. O produtor calcula que o acumulado de 2002 poderá chegar até 120%. Porém, o analista acredita que se "a política monetária for controlada, não há perigo de se chegar à hiperinflação, mas existe o risco de uma grande recessão". O ex-vice-ministro de Economia, Orlando Ferreres, é outro que projeta 130% de aumento de preços para o produtor até o final do ano e 90% para o consumidor. "Estas projeções são dentro de um cenário bastante otimista, com o câmbio na faixa de 3,50 a 4,00 pesos, a política monetária restritiva e o cumprimento dos compromissos do governo, caso contrário, estes números subirão às alturas", concluiu.

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