Risco de o País perder grau de investimento é real, avalia RBS

Estrategista de banco avalia que é necessário um 'choque na política econômica' para recuperar a confiança dos investidores

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

07 de junho de 2013 | 12h44

LONDRES - A possibilidade de o Brasil perder o grau de investimento é real. A avaliação é da estrategista para América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), Flavia Cattan-Naslausky. "Mais do que nunca, um choque positivo na política econômica brasileira é necessário para conter a deterioração dos fundamentos e recuperar a confiança dos investidores externos e internos. A decisão da S&P é clara: apesar de US$ 374 bilhões em reservas internacionais, a perspectiva de o Brasil perder o grau de investimento é real."

Para o economista para Brasil do espanhol BBVA Research, Enestor dos Santos, a decisão da S&P "é uma má notícia para o Brasil, mas a decisão da agência de classificação de risco pode acabar tendo um impacto positivo, que é o de 'normalizar' as coisas na economia brasileira". Segundo Santos, ainda que a reação dos mercados seja negativa em um primeiro momento - com a queda das ações e do real nesta sexta-feira -, a ameaça de uma piora da nota pela S&P pode "tirar um pouco do ruído da política econômica brasileira". "Em outras palavras, acredito que a notícia pode manter essa tendência do Banco Central de ter o foco na inflação e também de liberalizar de alguma maneira o mercado de câmbio", diz o economista.

Flavia, do RBS, citou "o desempenho modesto das exportações" e "a diminuição do investimento do setor privado" como motivos que embasaram a decisão da S&P. Para a economista, parte dessa contração do investimento no Brasil é resultado da "política ambígua do governo, que tem reduzido a confiança dos investidores". Outro item importante é a desaceleração "mais persistente no consumo das famílias em um contexto de maior endividamento do consumidor". Esse fato também prejudica as perspectiva de crescimento do País, diz a estrategista.

A consequência de uma economia que cresce pouco pela queda das exportações, investimento e consumo, diz a estrategista, é o "enfraquecimento e a deterioração do desempenho fiscal e o aumento do peso da dívida do governo". Ao lembrar que o Brasil se aproxima das eleições presidenciais, a economista diz que o cenário fiscal "pode ficar pior" em 2014. "Constroem-se expectativas em torno da ideia de que a política fiscal anticíclica passou a ser a regra e não a exceção."

"Além de tudo isso, há um grande problema de comunicação entre as entidades governamentais. Foi notável que na ata do Banco Central divulgada ontem a menção à manutenção da meta de superávit primário de R$ 155,9 bilhões", diz ao comentar que o Ministério da Fazenda já havia anunciado que o governo abaterá R$ 45 bilhões em deduções relacionadas aos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ou seja, a economista diz que nem mesmo o BC incorpora o cenário previsto pela Fazenda.

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