Murilo Rodrigues Alves/Estadão
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Risco de perder casa assusta moradores

Em condomínio no Distrito Federal, beneficiários do Minha Casa sentem aumento da cobrança pela Caixa

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - A maior parte dos moradores do Residencial Paranoá Parque, em uma das cidades-satélites de Brasília, já recebeu ligações ou SMS da Caixa informando que precisam colocar em dia as prestações. Nos casos em que o atraso era de apenas um mês, o banco informou que podia levar o nome do mutuário para o serviço de proteção ao crédito. Nas situações em que as prestações atrasadas eram mais de três, a Caixa avisou que o imóvel pode ser retomado e entregue a outra família. 

Essa ameaça preocupou Heleno José Ferreira. Ele mora com a esposa e dois filhos adolescentes em um apartamento no térreo de um prédio com uma sala, dois quartos, banheiro e cozinha – o padrão do empreendimento. “Às vezes, é tanta coisa na vida da gente... Doença, outras contas para pagar. Você acaba atrasando a prestação. Mas não posso correr o risco de perder a minha casa, meu sonho”, disse. Ele reuniu todos os comprovantes das prestações – R$ 38 por mês – e levou à agência da Caixa para regularizar a situação. 

“O governo dá com uma mão mas ameaça tirar com a outra”, afirmou Antônio José da Silva, morador e síndico de um dos condomínios. Ele disse que muitos moradores o procuraram preocupados com a situação. 

A prática de cobrança assim que a prestação vence passou a ser comum só nos últimos meses, dizem os moradores. Silva reclama que o governo não tem o mesmo empenho para cumprir a promessa de que o empreendimento teria transporte, segurança, postos de saúde e escolas. A principal preocupação dele é como 8 mil crianças ficarão sem ter um colégio por perto. Uma das saídas, disse, será transformar o cômodo onde os síndicos ficam em sala de aula.

No empreendimento, muitos ainda reclamam que a Caixa faz as cobranças mesmo quando as prestações estão em dia. É o caso da gari Rosilene Maria das Neves, que mora e trabalha no local. O banco estatal cobra dela cinco prestações atrasadas, mas ela garante que fez os pagamentos e tem os comprovantes. “Atrasei no mês passado porque estava de férias e tive de ajudar a família de uma tia que morreu de câncer. Mas tento pagar tudo direitinho.” A prestação dela é de R$ 122 por causa dos móveis que comprou pelo programa Minha Casa Melhor, hoje suspenso. Só pela moradia, paga R$ 54.

A síndica Rosicler Back recebeu vários SMS com a informação de que o nome dela ficaria sujo se não pagasse duas prestações, de R$ 60 cada uma. “Avisei a atendente que, para não ter aborrecimento vou pagar duas de uma vez. Poucos dias depois de vencer, eles não param de ligar e mandar SMS.” 

A Caixa afirmou, em nota, que é praxe a cobrança via SMS, inclusive orientando as famílias sobre a possibilidade de retomada do imóvel, caso não coloque em dias as prestações. “Eventualmente, se o beneficiário pagou a prestação no mesmo dia da cobrança ou até 24 horas antes, ele pode ter recebido o aviso. Nesse caso, deve desconsiderar. Não precisa comparecer ao banco para comprovar o pagamento”, informou. 


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