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Risco de racionamento de energia pode pesar no crescimento do PIB, avalia S&P

Segundo a S&P, investimento avança em ritmo lento e tendência é de que o crescimento baixo persista; agência não espera grandes ajustes na política fiscal brasileira, mesmo após as eleições 

Altamiro Silva Júnior, correspondente, Agência Estado

25 de março de 2014 | 12h11

NOVA YORK - A Standard & Poor's (S&P) projeta que o crescimento econômico do Brasil vai continuar baixo nos próximos anos e um eventual racionamento de energia por conta da falta de chuvas pode pesar negativamente na expansão do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou a diretora responsável por Brasil na S&P, Lisa Schineller, em uma teleconferência com analistas nesta terça-feira, 25.

Lisa ressaltou que um dos maiores programas de investimento hoje no Brasil é o de concessões, mas ponderou que ele tem avançado de forma lenta. Mesmo com a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil, a diretora ressaltou que a tendência é que o baixo crescimento persista por "vários anos". A previsão da S&P é de expansão de 1,8% este ano e 2% em 2015, quando se espera maior crescimento das exportações.

Questionada por um analista sobre o impacto na decisão de rebaixar o rating brasileiro do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) da correção da poupança por conta de planos econômicos do passado, que vem sendo adiado, Lisa disse que esse fato não pesou na decisão. "É um potencial risco para a execução da política fiscal nos próximos anos", disse ela, destacando que tudo depende do que o STF vá decidir.

Eleições. A Standard & Poor's não espera grandes ajustes na política fiscal brasileira, mesmo após as eleições presidenciais de outubro, segundo Lisa Schineller.

A deterioração de indicadores fiscais, incluindo o aumento do déficit público, foi um dos fatores que levou a agência de classificação de risco a colocar a nota brasileira em perspectiva negativa em junho do ano passado, frisou Lisa. Desde então, essa tendência não mudou muito e não dá sinais de que terá uma guinada.

A S&P espera algum ajuste fiscal em 2015, mas Lisa destacou que tem ocorrido enfraquecimento da condução da política fiscal em Brasília e a perspectiva é que vá continuar assim. Ela frisou que há um menor grau de transparência na execução da política fiscal. O governo brasileiro, reforçou, precisa se comprometer com políticas mais pragmáticas. A falta de políticas assim, aliada a uma deterioração clara de indicadores fiscais e externos levaria a um novo rebaixamento da nota soberana do País.

A diretora destacou que a S&P está confortável com a classificação do País na última escala de grau de investimento e que os indicadores e a política econômica de Dilma Rousseff são consistentes com o rating neste nível. Por esse motivo, a perspectiva da nota é "estável".

Lisa ressaltou na teleconferência que a S&P faz uma avaliação "multifacetada" do país que avalia para decidir sobre as ações nos ratings soberanos. A metodologia tem foco em áreas como aspectos políticos e institucionais, previsibilidade da política econômica e perspectivas econômicas, incluindo as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

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