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Risco de recessão na Europa e no Japão pioram cenário na Bolsa

Anteriormente, as perspectivas eram de que estas regiões não sofreriam tanto com a crise nos EUA

Cláudia Ribeiro, do estadao.com.br,

11 de agosto de 2008 | 18h13

A semana no mercado financeiro começou com forte queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuo do preço das commodities e desvalorização do euro. Analistas acreditam que o mercado passou a considerar um desaquecimento mais forte na zona do euro e no Japão.   Veja também: Ouça a íntegra da entrevista  Com commodities, Bovespa tem 2ª maior queda do mês Dólar segue mercado externo e fecha em alta pela 6ª vez    Anteriormente, as perspectivas eram de que estas regiões não sofreriam tanto com a crise do mercado imobiliário norte-americano, mas este cenário não se confirmou. Com a alta das commodities, a inflação na região subiu e o Banco Central Europeu (BCE) precisou subir os juros em julho - de 4% ao ano para 4,25% ao ano. Já o euro perdeu 4,26% só neste mês.   O economista Filipe Albert, da Tendências Consultoria, explica que, diante das perdas nestas regiões, os investidores estrangeiros tendem a vender suas ações em mercados emergentes, como o Brasil. Com isso, pressionam para baixo o preço dos papéis. Só no mês de agosto, com a saída dos estrangeiros, o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - já caiu 8,04%. Segundo ele, uma recuperação não é prevista no curto e médio prazo. Veja abaixo os principais pontos da entrevista com o economista:   Por que a Bolsa está em tendência de queda nos últimos dias?   Além da queda das commodities, há um viés mais negativo no mercado nas últimas semanas. É certo que o peso das ações de empresas de commodities, como Vale e Petrobras, é grande no Ibovespa, mas desde julho há uma saída forte de investidores estrangeiros da Bolsa e essa venda de ações derruba o preço dos papéis.   Por que os estrangeiros estão saindo?   A economia brasileira continua bem, mas o problema está lá fora, com a perspectiva de atividade econômica mundial mais lenta e problemas no setor financeiro. Este cenário negativo provoca perdas para os investidores estrangeiros. Com isso, eles vendem ações no Brasil, apuram o ganho acumulado e cobrem prejuízos no exterior. Desta forma, eles também reduzem o risco de suas aplicações em um momento de incertezas na economia mundial. O fato é que há uma fuga de recursos de mercados emergentes para ativos mais seguros, como os títulos do governo americano.   O que mudou na visão de risco dos investidores?   Os investidores perceberam um enfraquecimento de economias onde isso não era esperado, como Japão e Europa. Todas as perspectivas ruins estavam muito mais relacionadas aos Estados Unidos, mas essa visão mudou. Hoje há risco de desaquecimento mais forte no Japão e Zona do Euro. Os investidores perceberam que a alta das commodities no primeiro semestre mexeu com o consumo e o investimento nestas regiões e isso não era esperado. Surpreendeu. A perspectiva agora é de enfraquecimento da economia no segundo semestre.   A queda do euro também surpreendeu?   Também surpreendeu. Havia a expectativa de que a moeda européia ficasse estável até o final do ano. Mas o que vimos foi o enfraquecimento da moeda acompanhando o enfraquecimento da economia.   Quais são suas perspectivas?   A crise deve continuar prejudicando o mercado imobiliário norte-americano, o que influenciará de maneira negativa a economia no segundo semestre e também no próximo ano. Para a Bovespa, isso tem impacto direto e uma melhora não deve acontecer no curto e médio prazos.

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