Risco de repique no preço do petróleo preocupa economistas

Várias ameaças pairam sobre a estabilidade econômica mundial nos próximos anos, entre elas um recrudescimento do protecionismo comercial, terrorismo, tensões geopolíticas ou a enorme distância entre o déficit em conta corrente dos Estados Unidos e o superávit da China. Mas nos intensos debates do Fórum Econômico Mundial ficou claro que um dos riscos considerados mais iminentes continua relacionado aos preços do petróleo, que, se retomarem sua trajetória de alta, poderão aprofundar a desaceleração econômica nos Estados Unidos, com um impacto em todo o mundo. Sem falar sobre o efeito "cascata" que isso poderia ter sobre os preços de outras commodities, como os metais, criando problemas para vários países emergentes.Um repique nos preços do petróleo teria um impacto diversificado para os países emergentes. No caso de uma alta moderada, os importadores da commodity seriam prejudicados enquanto os produtores, como os países do Oriente Médio, Rússia, Venezuela e Nigéria, ampliariam seus ganhos.Mas se a alta for forte, superando o patamar de US$ 70 por barril que prevaleceu no primeiro semestre de 2006, todos seriam afetados negativamente devido ao impacto inflacionário nos Estados Unidos e outras economias relevantes para o mundo.A principal âncora do otimismo dos mercados com a economia global em 2007 continua sendo a aposta que os Estados Unidos terão um "pouso suave", ou seja, uma leve queda no ritmo de atividade sem pressões inflacionárias que exijam um aperto excessivo na taxa de juros.A forte queda dos preços do petróleo nos últimos meses, que se aproximaram dos US$ 50 por barril, foi um fator crucial para fortalecer essa aposta. Mas como alertou o economista Nouriel Roubini, presidente Roubini Global Economics, nada garante que essa tendência vai se manter por muito tempo.Nesta semana, por exemplo, o preço da commodity voltou a subir próximo dos US$ 55 por barril devido à chegada do frio intenso no Hesmifério Norte e plano anunciado pelo presidente George Bush de dobrar o tamanho das reservas estratégicas do petróleo norte-americanas. "Acho que veremos o barril voltando ao patamar dos US$ 60 e isso poderá ter implicações negativas para os Estados Unidos e o mundo", disse Roubini.Outros analistas acrescentaram que o petróleo continua sensível às questões geopolíticas, impossibilitando qualquer previsão segura sobre o comportamento dos preços, mesmo no curto prazo."Independentemente se um país emergente é exportador ou importador, um petróleo mais caro seria negativo para a inflação ", disse Philip Polle, chefe de pesquisa de mercados emergentes do banco HSBC. "Ele teria um impacto mais rápido em alguns países do que outros, dependendo do grau de controles administrativos e de subsídios de cada mercado."

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