Risco eleitoral e vulnerabilidade ainda dividem analistas

O debate sobre a principal razão - risco eleitoral ou vulnerabilidade econômica - que estaria alimentando o forte clima de nervosismo dos mercados com o Brasil deve continuar dividindo os analistas e sendo devidamente explorado pelos partidos políticos nos próximos meses durante a corrida presidencial. Esse pessimismo atingiu o seu ápice na semana passada, com o ingrediente adicional das novas regras contábeis para os fundos de investimentos e a queda de braço do Banco Central com os mercados para a rolagem da dívida interna.Para o diretor para finanças públicas da agência de classificação de risco Fitch, Richard Fox, os dois fatores, eleição e vulnerabilidade, não podem ser separados e interagem entre si. Segundo ele, a sucessão presidencial há muito é vista como um fator de risco para o país pois pode sinalizar uma mudança na condução da política econômica. Fox salienta, no entanto, que esse risco eleitoral está sendo maximizado justamente pela fragilidade da economia. "Eleições ocorrem em todas as partes do mundo e não vemos necessariamente essa turbulência que está ocorrendo no Brasil. Por quê?", disse ele à Agência Estado. "É justamente pelo fato de o Brasil apresentar vulnerabilidades, tanto do lado fiscal como nas suas contas externas, que a possibilidade de uma mudança no governo ganha tamanha importância. Se o Brasil tivesse uma posição fiscal mais sólida, não estaríamos vendo tamanho nervosismo."Fox explicou que a volatilidade na economia brasileira já está contida na ´perspectiva negativa´ (negative outlook) conferido aos ratings soberanos do país pela Fitch. A ´perspectiva negativa´, em termos técnicos, significa que os ratings têm uma maior possibilidade de serem rebaixados do que elevados. Ele salientou, no entanto, que a avaliação sobre o país vai depender da extensão e intensidade do atual período de volatilidade."Um período muito prolongado de pressão cambial, necessidade de manutenção das taxas de juros em patamares altos, dificuldades para o refinanciamento da dívida obviamente não ajudam", disse Fox. "Por outro lado, poderemos ver uma reversão desse nervosismo quando o quadro eleitoral ficar mais definido, Ainda é muito cedo para tirar conclusões desse processo."Já o diretor da corretora Liabilities Solutions, Wilber Colmerauer, salienta que o cenário internacional não está tendo um papel importante na atual onda de nervosismo e servindo como base para o pessimismo que está atingindo os ativos brasileiros. "A recuperação nos Estados Unidos não está ocorrendo como era previsto, o mercado está sofrendo com essa reversão de expectativa", disse Colmerauer. "Nessas horas, os emergentes sempre levam a pior e como o Brasil vive uma situação específica, com o processo eleitoral, está sendo mais penalizado."

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