Risco fez estrangeiros retirarem US$ 2,8 bilhões do Brasil

Nas últimas cinco semanas, a aversão ao risco dos investidores estrangeiros provocou uma fuga de capitais da ordem de US$ 8 bilhões de dólares nos chamados países Bric, composto pelo Brasil, Rússia, Índia e China. De acordo com estimativas do Ermerging Porfolio Fund Research (EPFR), a principal fonte para investimentos de curto prazo em mercados emergentes, a Rússia teria perdido US$ 3 bilhões, o Brasil, US$ 2,8 bilhões e a Índia US$ 1,7 bilhões. Já a China teria perdido US$ 500 milhões de dólares em fundos de investimentos de curto prazo."Estamos assistindo a uma correção clássica para os emergentes num momento de grande incerteza global," disse o analista Cameron Brandt à BBC Brasil."Como os principais mercados emergentes apresentam fundamentos muito mais sólidos do que nos anos 90, não temos visto os sinais de pânico em relação a eles como aconteceu de 1997 a 1999."China De acordo com o Brandt, apesar de a China apresentar um patamar muito inferior de fuga de capital em relação aos demais países Bric, o mercado chinês para investimentos de curto prazo não é um bom comparativo entre os emergentes. "A China é um mercado excessivamente regulado e muito opaco," disse. "Uma comparação direta dela com os demais Brics traz uma série de distorções."Tal como os demais analistas ouvidos pela BBC Brasil, Brandt acredita que apesar do melhor desempenho dos mercados globais nos últimos dias, as próximas semanas ainda devem apresentar um alto nível de volatilidade. "A turbulência continuará até que o mercado tenha uma imagem consolidada do comportamento da taxa de juros nos Estados Unidos", afirmou, referindo-se à reunião do próximo dia 29 do comitê de política monetária do banco central americano, o Federal Reserve (Fed).O mercado espera que o Fed aumente a taxa americana em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 5,25% ao ano. Retirada técnica Já para Vitale Meschoulan, economista-chefe para a América Latina do banco HSBC, "a recuperação das bolsas nos últimos dias representa uma estratégia de curto prazo, em que os investidores estão buscando oportunidades de compra, pois os preços dos ativos estão mais baixos agora do que estavam em abril." Segundo Meschoulan, a fuga de capitais sofrida pelos emergentes, não é causada por nenhuma questão política, como era o caso dos anos 90."Se você olhar para os fundamentos, países como o Brasil deveriam ter um desempenho muito melhor. A fuga está sendo guiada por considerações técnicas dos investidores quanto a suas posições nos mercados."O economista sênior para América Latina do banco DKRW, Nuno Câmara, tem a mesma opinião, especialmente sobre o Brasil. "Como os fundamentos da economia brasileira estão em ordem, apesar de toda a turbulência, o banco central brasileiro é o único que ainda pode prosseguir sua política de afrouxo monetário enquanto todos os outros estão em processo de aperto", disse. "Em momento algum dessas semanas de volatilidade, eu ouvi dos investidores alguma preocupação em relação ao Brasil. O que eles queriam saber é quando seria o melhor ponto de entrada para o mercado brasileiro", acrescentou.Campanha eleitoral De acordo com John Welch, economista-chefe para a América Latina do banco Lehman Brothers, "a partir de agosto, a campanha presidencial pode acrescentar alguma volatilidade ao mercado brasileiro.""Mas o Brasil não sofrerá nada comparável a 2002", disse, referindo à crise cambial que castigou a economia brasileira durante a última campanha presidencial.No cenário global, segundo Welch, a partir de agosto, em função da publicação dos relatórios de ganhos das empresas americanas no segundo trimestre, os mercados terão uma idéia mais clara do panorama econômico na maior economia do mundo. Welch não crê que exista uma bolha no preço de commodities como o aço e a soja, dois dos principais produtos da pauta de exportação brasileira. "De fato o preço das commodities subiu muito nos últimos anos, mas isso foi ditado pelo crescimento da economia global e não por fatores artificiais," disse."Mesmo que a economia global se desacelere - o que esperamos no próximo ano e meio - não creio que o mundo vá mergulhar numa recessão. Creio que o preço das commodities vá sofrer uma correção gradativa", concluiu.

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