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Risco monetário

Franco suíço se valorizou ante todas as moedas da Europa central, incluindo o euro, o florim húngaro e especialmente o zloty polonês; maior impacto da alta do franco pode ser político, principalmente na Polônia, que se prepara para eleições parlamentares

ECONOMIST.COM

16 de janeiro de 2015 | 16h25

A ansiedade diante da surpreendente decisão do Banco Nacional Suíço de desvalorizar seu câmbio em relação ao euro foi evidente sobretudo na Europa central. O franco suíço se valorizou rapidamente ante todas as moedas da região, incluindo o euro, o florim húngaro e especialmente o zloty polonês, e as bolsas de valores na Polônia e na Hungria tiveram queda acentuada. Durante a crise econômica global, ondulações semelhantes mergulharam muitos da região na inadimplência: tinham se aproveitado de empréstimos a juros baixos (especialmente hipotecas) denominados em francos suíços, mas se viram impossibilitados de arcar com o custo quando o franco teve forte valorização em 2009. Mas, apesar das reações preocupadas nas bolsas, a região está muito melhor preparada para ondulações cambiais hoje do que há seis anos. O maior impacto da alta do franco pode ser político, principalmente na Polônia, que se prepara para eleições parlamentares no segundo semestre.

As medidas mais radicais para lidar com o problema das hipotecas em francos suíços foram adotadas na Hungria, que também sofreu bastante em 2009. O primeiro-ministro, Viktor Orban, chegou ao poder em 2010 em parte com a promessa de aliviar o sofrimento de milhões de lares húngaros presos a hipotecas pelas quais não podiam mais pagar. O governo húngaro já obrigou os bancos com empréstimos em moeda estrangeira (em sua maioria pertencendo a estrangeiros) a convertê-los em florins a um câmbio favorável. A fase final desse programa vai ocorrer nos próximos meses, e significa que a Hungria foi bastante poupada da maior parte do choque causado pelo BNS. "Os planos do governo húngaro para converter empréstimos denominados em francos suíços não poderiam surgir num momento melhor", diz Nick Spiro, da consultoria de risco de crédito Spiro Sovereign Strategy.

Os empréstimos dos romenos são principalmente em euros, e os reguladores croatas ordenaram em 2013 que os bancos convertessem para kunas muitos empréstimos em francos. Os três países bálticos contraíram entusiasmados empréstimos em euros, mas já entraram para a região da moeda comum, acabando com o descompasso. Isso deixa a Polônia como o país centro-europeu mais exposto a uma valorização do franco. Embora os reguladores poloneses tenham sido mais cautelosos com os empréstimos em moeda estrangeira do que os vizinhos húngaros, e os empréstimos tenham sido concedidos a solicitantes mais ricos do que no Danúbio, a Polônia ainda possui um número significativo desses empréstimos. Cerca de 14,6% dos empréstimos a quitar e 37% da dívida dos lares são denominados em francos.

Por enquanto as hipotecas polonesas têm sido pagas em dia, com inadimplência de apenas 3%. Mesmo se esse número aumentar, o resultado dificilmente será forte o bastante para prejudicar o sistema bancário bem financiado, que possui uma proporção de adequação de capital de 15,3%. A economia em geral, com previsão de crescimento de 3,5%, também deve sentir apenas uma breve turbulência, embora bancos individuais, especialmente aqueles que ofereceram agressivamente os empréstimos desse tipo, tenham o valor de suas ações afetado. Mas a alta do franco pode trazer consequências políticas, especialmente se a moeda suíça continuar forte, criando um desconforto crescente para até 550 mil lares que verão sua dívida aumentar rapidamente.

O partido Lei e Justiça, da oposição, já fez barulho falando em defender os endividados em francos das consequências de sua decisão, e os apelos desse tipo devem aumentar conforme se aproximam as eleições parlamentares. Pesquisas de opinião recentes mostraram um empate entre Lei e Justiça e o partido Plataforma Cívica, no poder, de modo que qualquer jogada capaz de render uma vantagem nas urnas parecerá tentadora. "O importante é o impacto político", diz Peter Attard Montalto, da Nomura. Nenhum gesto político é mais popular do que uma concessão aos donos de imóveis, seja na Polônia ou em qualquer outro lugar. Os bancos que ofereceram empréstimos denominados em francos na Polônia e esperam receber seu investimento de volta vão acompanhar atentamente as pesquisas de intenção de voto. 

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