Risco país dobra em 9 meses e vai a 475 pontos

Espécie de seguro contra calote, indicador dispara e puxa a alta do dólar, explica economista

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2015 | 02h02

A piora da percepção de risco dos investidores com a economia brasileira se acentuou desde o início da semana. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos - espécie de seguro contra o risco de calote do Brasil - ultrapassou o patamar de 400 pontos. Fechou em 428 pontos na segunda-feira. Na terça-feira, subiu para 465 pontos, e ontem chegou a 475 pontos.

"O CDS dispara e puxa o dólar", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria Integrada. "Há uma deterioração muito forte."

O humor com a economia brasileira também piorou após o governo decidir enviar um Orçamento com déficit para o Congresso Nacional no fim de agosto. Desde então, a economia brasileira perdeu o grau de investimento concedido pela Standard & Poor's (S&P) e o CDS do País saiu dos 350 pontos para o patamar atual. No início do ano, quando as incertezas políticas e econômicas eram menores, o CDS estava em 200 pontos.

"Os mercados enxergam um impasse. Há uma crise política aguda e um cenário fiscal crítico em termos de contas públicas: não há espaço nem para aumentar imposto nem para corte de gastos", afirma Campos Neto.

O patamar do CDS do Brasil está distante do de países com características similares. Na média, o CDS das economias que integram a Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México), por exemplo, é de 173 pontos. O da China é de 119 pontos, o da Índia está em 180 pontos, e o da Rússia é de 376 pontos.

Na avaliação do economista da Tendências, por ora, o CDS brasileiro não deve recuar para um patamar muito inferior ao atual. "Nesse momento, não há nada que mostra uma chance de o País voltar para o patamar anterior."

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