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Risco sistêmico é menor para os bancos brasileiros

O sistema bancário brasileiro tem grande presença estatal. Os bancos estatais federais respondem por mais da metade da oferta de crédito e não sujeitam seus controladores a risco, pois, por lei, não podem quebrar. Os estrangeiros, com 15% do mercado, são, em geral, filiais de conglomerados globais e oferecem pouco risco. E os privados nacionais, com 1/3 do mercado, também são, na maioria, bem capitalizados.

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h04

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado quinta-feira, confirmou o baixíssimo risco do sistema como um todo - o que não quer dizer que as instituições passaram batidas pela piora da economia do País, com desvalorização de ativos de renda fixa e de renda variável, além de prejuízos de algumas companhias de porte, como no setor elétrico. Entre o primeiro e o segundo semestre de 2013, houve queda do índice de liquidez dos bancos (de 1,63% para 1,52%), mas o nível continua sendo satisfatório, segundo o Banco Central.

Os bancos estão, ainda, perfeitamente ajustados às regras de capitalização e prudência do Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecidas como Basileia 3.

Tampouco o setor imobiliário, com importância crescente nas carteiras dos bancos, oferece risco. Após a forte alta dos preços, nos últimos anos, a perspectiva de uma estabilização ou mesmo de queda, em termos reais, deslocou a atenção para a qualidade do crédito imobiliário e para a solvência dos devedores.

Mas, mesmo que os preços dos imóveis se desvalorizassem entre 45% e 55% - porcentual tido como catastrófico para o mercado imobiliário, mas não previsto por nenhum analista -, quase todos os bancos que financiam a construção e a compra de imóveis suportariam a perda de garantia. "Condições macroeconômicas e regulatórias favoráveis estimularam uma gradativa valorização dos imóveis a partir de 2006, mas sobre uma base deprimida", afirmou o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro, Sérgio Odilon dos Anjos. O imóvel, em resumo, é uma boa garantia. Em média, os mutuários só financiam 2/3 do valor do bem.

O crescimento pequeno do PIB, a inflação em alta e os fatores de ineficiência econômica (tributação pesada, infraestrutura precária, erros na política energética, entre outros) afetam a rentabilidade das empresas e, portanto, aumentam o risco dos bancos. Mas estes - em especial os privados - são mais rigorosos na concessão de créditos.

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