Tim Sloan/AFP
Tim Sloan/AFP

FMI aponta economia global forte, mas há riscos de tensão comercial

Documento divulgado neste sábado indica que países emergentes e em desenvolvimento devem ser os mais afetados por incertezas econômicas e políticas

Ricardo Leopoldo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2018 | 08h41

BALI, INDONÉSIA - Comunicado final do encontro do IMFC, o Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, divulgado hoje, destaca que a expansão da economia mundial continua forte, embora a avaliação é de que ficará estável no curto prazo. "Contudo, a recuperação é crescentemente desigual", aponta o documento, ao ressaltar que riscos sobem, "em meio a elevação de tensões comerciais e preocupações geopolíticas em curso, com condições financeiras mais apertadas afetando particularmente mercados emergentes e países em desenvolvimento."

O texto também aponta que incertezas de políticas de governos, níveis elevados de dívidas, vulnerabilidades fiscais em ascensão e limitado espaço para medidas públicas podem minar adiante a confiança e as perspectivas de incremento do nível de atividade global.

De acordo com o comunicado, os países que atuam no IMFC assumiram o compromisso de "avançar políticas e reformas para proteger a expansão, mitigar riscos, reconstruir espaços de políticas, fortalecer resiliência" e elevar as condições de expansão da demanda agregada.

"A política fiscal deve construir proteções, onde necessário, ser flexível e amigável ao crescimento", evitar agir de forma pró-cíclica e "elevar a qualidade de infraestrutura e de habilidades da força de trabalho, assegurando ao mesmo tempo que a dívida pública está em caminho sustentável", diz o texto.

O documento enfatiza que os "bancos centrais em linha com seus mandatos e conscientes dos riscos de estabilidade financeira devem manter a política monetária acomodatícia onde a inflação está abaixo da meta e retirá-la onde está perto ou acima da meta de modo gradual, bem comunicada e depende de dados."

O texto do IMFC destaca que fundamentos fortes, políticas robustas e sistema monetário internacional resiliente são essenciais para a estabilidade do câmbio, contribuindo para robusto crescimento e aumento de investimentos.

"As taxas de câmbio flexíveis, onde viável, pode servir como absorvedor de choques", destaca o comunicado. "Nós reconhecemos que a excessiva volatilidade ou movimentos desordenados da taxa de câmbio pode ter implicações adversas para a estabilidade econômica e financeira", aponta. Os países signatários do documento realizaram o compromisso de não adotar desvalorizações competitivas.

Reformas

De acordo com os membros do IMFC, avançar reformas estruturais e financeiras é crítico para elevar o potencial de crescimento e emprego, elevando a resistência, enquanto assistem aqueles países que registram impactos de tais ajustes. "Nós iremos monitorar e, se necessário, atacar vulnerabilidades financeiras e riscos emergentes", ressaltando que continuarão a cooperação regulatória a fim de enfrentar desafios para mudanças demográficas e para elevar a inclusão social.

O comunicado aponta que os países membros do IMFC ressaltam a importância de continuar a aprofundar o diálogo e adotar ações para mitigar riscos e elevar a confiança no comércio internacional, incluindo formas para fortalecer a Organização Mundial do Comércio (OMC) para enfrentar atuais e futuros desafios. "Reconhecemos que o comércio livre, justo e mutuamente benéfico de mercadorias e serviços e investimentos são motores essenciais para crescimento e geração de postos de trabalho."

De acordo com o documento, os países membros vão continuar a trabalhar para um moderno e equilibrado sistema internacional de impostos e, onde for apropriado, atacar desafios de tributos, inclusive relativos à digitalização. O documento também solicita às nações para enfrentar fontes e canais de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo, proliferação de corrupção e outras formas de funding para atos ilícitos.

"Nós continuamos a apoiar os esforços de países para construir resiliência e para lidar com consequências macroeconômicas de pandemias, riscos cibernéticos, mudança de clima, desastres naturais, escassez de energia", bem como atuar contra crises humanitárias, como as relacionados a refugiados, cita.

O comunicado também aponta que são positivas as ações do Fundo Monetário Internacional para promover um sistema monetário e financeiro resiliente. "Também é bem vinda o conselho do FMI para seus membros para lidarem com grandes e voláteis fluxos de capitais e solicitamos esforços adicionais para fortalecer a rede de segurança financeira global."

O documento demanda que o Fundo continue a trabalhar com seus países membros para fortalecer arcabouços fiscais e melhorar a administração de suas dívidas. O comunicado também reafirma o compromisso com o sistema de cotas do FMI a fim de prover recursos para que a instituição multilateral possa preservar seu papel central no sistema de segurança financeira global.

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