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Riscos para a inflação foram maior do que se previa, diz BC

Mesmo com as incertezas relacionadas à evolução do cenário, o BC admite que o quadro geral piorou nos últimos 45 dias 

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2010 | 09h33

Os riscos para a trajetória benigna da inflação cresceram em ritmo maior que o esperado pelo Banco Central desde outubro. De acordo com o parágrafo 29 do documento, "teve seguimento a materialização de riscos de curto prazo com os quais o Copom trabalhava". "Mas isso ocorreu em magnitude superior a que se antecipava", cita o texto.

Mesmo com as incertezas relacionadas à evolução do cenário, o BC admite que o quadro geral piorou nos últimos 45 dias. "Embora as incertezas que cercam o cenário global e, em menor escala, o doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade das pressões recentes, o balanço de riscos atual se mostra menos favorável à concretização de um cenário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas", avalia o texto no parágrafo 29.

Atividade

O Banco Central fez uma avaliação positiva para as perspectivas da economia brasileira. No parágrafo 24 da ata da reunião de dezembro divulgada nesta quinta-feira, 16, os diretores afirmam que, "a despeito de a acomodação observada nos dois últimos trimestres haver se mostrado mais intensa do que o esperado no início deste ano, como revelam, entre outros, dados sobre estoques e produção industrial, as perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis".

Três dos motivos que levam o BC a manter a previsão de continuidade do crescimento econômico são: crédito, confiança do consumidor e dos empresários, além da expansão do mercado de trabalho. "Essa avaliação é sustentada, entre outros, pelos sinais de que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, embora em ritmo mais moderado, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, e pelo fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados."

Além de haver crédito e confiança na praça, o BC ressalta "que o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido pelo vigor do mercado de trabalho, apesar do arrefecimento da geração de postos em segmentos específicos".

Cenário externo

O Banco Central mudou a avaliação quanto à influência externa sobre a dinâmica de preços no Brasil. Em outubro, a ata afirmava que "permanece elevada a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo". Em dezembro, porém, o termo "desinflacionário" já dá lugar ao "ambíguo". Ao relatar a evolução do ambiente externo nos últimos 45 dias, o BC afirma que os desdobramentos "revelam influência ambígua do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica".

No trecho 29 do documento, o BC avalia que as injeções de liquidez realizadas por algumas economias geram reflexo "de certa forma imediatos e generalizados" sobre preços de ativos em especial nas commodities. O ambiente sinaliza "menor probabilidade de reversão do ainda lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G-3". "Por outro lado, revelam influência ambígua do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica."

No parágrafo 23 do texto, o BC comenta que persistem preocupações com dívidas de países europeus e também com a chance de desaceleração da economia chinesa e quanto à recuperação dos Estados Unidos. Mesmo assim, a "trajetória dos índices de preços mostra elevação das pressões inflacionárias em algumas economias relevantes, enquanto arrefeceram preocupações com a perspectiva de deflação em outras". "Nessa conjuntura, recuou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica."

Essa avaliação persiste "conquanto persista substancial incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de substancial volatilidade nos mercados financeiros internacionais".

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