Andrew Harnik/AP
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Riscos para crescimento global recuaram, diz FMI

A diretora-gerente do Fundo afirmou que as economias avançadas estão melhores, mas alertou para riscos financeiros e geopolíticos

Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 13h26

SÃO PAULO - Os riscos macroeconômicos mundiais recuaram nos últimos meses, de acordo com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que ressaltou que a economia global foi impulsionada pelos baixos preços do petróleo e por uma forte recuperação nos EUA. No entanto, a dirigente alertou que o avanço econômico ainda é moderado e desigual. Para Lagarde, é preciso evitar que o crescimento "medíocre" se torne a "nova realidade".

Em comentários preparados para um discurso no instituto de pesquisa Atlantic Council, Lagarde afirmou que as economias avançadas estão um pouco melhor que no ano passado, com a recuperação nos EUA e no Reino Unido se firmando. "As perspectivas na zona do euro estão melhorando, diante do apoio bem-vindo do relaxamento monetário do Banco Central Europeu (BCE)", acrescentou.


Os preços mais baixos do petróleo também contribuíram para a melhora. Ao usar os valores menores da commodity para reduzir os subsídios de energia, importadores de petróleo podem economizar, em média, um por cento do PIB em 2015, disse Lagarde. "Esses recursos podem ser realocados para investimentos que ajudem o crescimento, como infraestrutura, educação e saúde."

A dirigente alertou, no entanto, que em muitas partes do mundo a expansão não é forte o suficiente, nem tem se trazido benefícios para as pessoas. Além disso, "os riscos financeiros e geopolíticos aumentaram". Para Lagarde, o crescimento permanece moderado, quase o mesmo do ano passado e próximo da média das últimas três décadas. "Não que a expansão geral seja ruim (...) mas, tendo em vista o impacto persistente da Grande Recessão nas pessoas, o crescimento não é bom o suficiente", disse.

"Podemos melhorar, precisamos melhorar", afirmou Lagarde. Para evitar que um novo crescimento medíocre, isto é, uma baixa expansão no longo prazo, se torne a nova realidade, Lagarde ressaltou que reformas estruturais são necessárias e devem acompanhar políticas macroeconômicas e financeiras. Entre as medidas, ela citou esforços no mercado de trabalho, comércio exterior e integração mundial. "Francamente, em um número demasiado de países, essas reformas estão deixando a desejar."

Uma contínua acomodação monetária também é necessária, especialmente na zona do euro e Japão. Para Lagarde, "a política fiscal precisa ser calibrada para fortalecer a recuperação, sem perder de vista a sustentabilidade de dívida no médio prazo".

Alta do dólar. Apesar de ajudarem a economia, os juros baixos e as políticas monetárias acomodatícias também aumentaram as ameaças financeiras, ao elevar a tolerância entre os investidores a apostas mais arriscadas. Outro fator que pode prejudicar alguns países é a alta acentuada do dólar.

"Alguns países com condições macroeconômicas mais difíceis e menos espaço político têm se beneficiado da depreciação relativa de suas moedas. Em outros, com grandes quantidades de dívida denominada em moeda estrangeira, essas oscilações dramáticas de câmbio podem ser desestabilizadoras", afirmou. Esse é o caso para as empresas nas economias de mercados emergentes que estão encurraladas entre um dólar forte, preços mais baixos das commodities e taxas de empréstimos mais elevadas.

Lagarde explica que os riscos são gerenciáveis, mas alerta que "também teremos de lidar com um declínio estrutural da liquidez no mercado" se ocorrer uma reação negativa ao aperto monetário nos EUA. Para a diretora-gerente do FMI, as ameaças devem ser enfrentadas, em geral, com reformas estruturais, como esforços para gestão de tomada de riscos e políticas macro e microprudenciais para instituições não bancárias. É também necessário dar liquidez em situações de estresse e promover ações para evitar uma situação em que haja empresas "grandes demais para falir". 

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