Riscos para inflação em 2008 são altos, alerta BC

A previsão se manteve em 4,3% para o próximo ano, mas as estimativas trimestrais aumentaram

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de dezembro de 2007 | 13h31

A economia brasileira entra em 2008 com um risco maior de inflação. Segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, o balanço de riscos para inflação se deteriorou de setembro para dezembro, o que indica que as estimativas de inflação aumentaram para o próximo ano. No relatório de inflação divulgado nesta quinta-feira, 27, pelo BC, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se manteve em 4,3%, mas as estimativas trimestrais no próximo ano foram revisadas para cima. O mercado espera uma inflação de 4% ao final do primeiro trimestre de 2008, de 4,2% ao final do segundo trimestre e de 4,4% para o final do terceiro trimestre, recuando para 4,3% ao final de 2008. Neste patamar, a inflação estará abaixo da meta para o próximo ano, que é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. Segundo Mesquita, os dados referentes às estimativas de nível máximo de produção que uma economia poderia alcançar sem gerar pressões inflacionárias (calculado por estimativa do hiato do produto potencial) apontam um estreitamento da margem de ociosidade da economia brasileira. Ou seja, um crescimento econômico acima do patamar atual pode gerar aumento de preços. Mesquita avaliou ainda que os riscos do cenário interno são "tão ou mais importantes" do que os do cenário externo. Nos riscos internos, o diretor apontou o aumento do consumo interno e as restrições ao crescimento provocadas pela maior incapacidade do setor produtivo de atender à demanda. Do lado externo, o risco é de uma desaceleração mais acentuada da economia mundial, provocada pela retração da economia dos Estados Unidos. O diretor do BC avaliou que "surpresas" de inflação de curto prazo ocorrem no final deste ano. Segundo ele, num ambiente de demanda aquecida, essa pressão afetou as expectativas. Ele enfatizou que os BCs trabalham para mitigar essas pressões e que o BC brasileiro não é exceção.  Ele reforçou a avaliação de que a economia brasileira apresenta sinais claros de demanda aquecida, que contribuem para que "o repasse de preços se torne mais provável". Ele evitou, no entanto, fazer comentários sobre futuros cortes da taxa Selic em 2008, justificando que o "Copom se reúne a cada seis semanas". Política monetária Para Mesquita, o comportamento das taxas de juros nos últimos meses indica que "ainda há substancial estímulo monetário para atuar sobre a economia brasileira". Ele lembrou que existe uma defasagem entre a tomada de decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) sobre as taxas de juros e o impacto da medida na economia. Segundo ele, o resultado da produção industrial de outubro reflete as condições monetárias de alguns trimestres anteriores. "O BC sempre tem que atuar de forma preventiva porque esse é um elemento importante, essencial na formulação de política monetária", afirmou. Ele considera que o BC tem conseguido praticar uma política monetária com certo nível de previsibilidade o que, na sua avaliação, mostra que a comunicação com o mercado tem sido efetiva.

Tudo o que sabemos sobre:
Inflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.