Ritmo de aumento de gastos com viagens ao exterior diminui

Mas de janeiro a abril essas despesas bateram recorde e cresceram 76,1% em relação ao período do ano anterior

Adriana Fernandes e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Depois de recordes sucessivos, as despesas dos brasileiros com viagens internacionais - item que vêm pressionando as contas externas - arrefeceram em maio. Até ontem, os gastos líquidos com viagens somavam US$ 824 milhões, mostrando uma queda no ritmo de crescimento em relação a abril, quando bateram recorde para todos os meses e atingiram US$ 1,4 bilhão.

De janeiro a abril, as despesas com viagens também bateram recorde e fecharam em US$ 4,33 bilhões, com crescimento de 76,1% em relação a janeiro a abril de 2010. Somente os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 6,66 bilhões no primeiro quadrimestre, ante US$ 2,33 bilhões de receitas com estrangeiros que vêm para o Brasil.

Em abril, o governo elevou de 2,38% para 6,38% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para gastos com cartão de crédito no exterior, para conter o aumento dessas despesas. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, os números de abril ainda não refletem a elevação da alíquota.

Maciel foi, no entanto, cauteloso e preferiu não avaliar se o resultado de maio já seria um sintoma do efeito da medida do governo. Para ele, é preciso mais tempo para fazer uma avaliação.

Em maio do ano passado, o déficit de viagens foi de US$ 748 milhões. Ou seja, há ainda um crescimento no déficit de viagens na comparação anual, mas, pelo menos com base nos dados parciais, em ritmo menor do que vinha ocorrendo.

O aumento das despesas com viagens internacionais é o que mais pressiona a conta de serviços do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior, segundo Maciel. O déficit nessa conta , que inclui também gastos com transportes, seguros, serviços financeiros, computação, aluguel de equipamentos e outros, já cresceu 31,3% no ano.

Reflexo

Em abril, o governo elevou de 2,38% para 6,38% a alíquota do IOF para gastos com cartão de crédito no exterior, mas segundo o BC os números dos gastos em viagens internacionais ainda não refletem a elevação da alíquota.

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