Beto Nociti/Banco Central
Beto Nociti/Banco Central

Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Ritmo de corte da Selic não é consenso

Ata do BC da última reunião do Copom deixou mercado dividido entre redução de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual no juros em novembro

Fabrício de Castro, Adriana Fernandes, Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 20h18

BRASÍLIA - A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou as dúvidas entre os economistas do mercado financeiro sobre o ritmo de cortes da Selic (os juros básicos da economia). Depois que o BC, na semana passada, reduziu a taxa de 14,25% para 14% ao ano, surgiu a expectativa de que o corte possa ser ainda maior em novembro, considerando a forte recessão enfrentada pelo Brasil. Só que o documento de ontem indica que um corte maior vai depender da inflação registrada na área de serviços e do ajuste fiscal.

O resultado foi que, por conta da ata, os economistas se dividiram sobre o tamanho do corte da Selic na reunião do Copom do próximo mês. De acordo com o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, de 39 instituições, 20 esperam que o BC reduza a Selic em apenas 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano. Outras 19 projetam corte de 0,50 ponto, para 13,50% ao ano.

Uma das dificuldades para o País ter juros mais baixos, na visão do BC, é que houve recentemente uma pausa na queda da inflação registrada pelos itens do setor de serviços – aqueles que, de acordo com a instituição, são “mais sensíveis” aos juros altos.

Para o Banco Central, isso pode prejudicar a convergência do IPCA – o índice oficial de inflação do País – à meta, que é de 4,5% para 2016, 2017 e 2018. Há uma margem de tolerância para essa meta de 2 pontos porcentuais para este ano (inflação até 6,5%) e de 1,5 ponto porcentual para os próximos anos (até 6,0%).

Abaixo da meta. No documento de ontem, o BC voltou a afirmar que, em seu cenário de referência, considera o dólar a R$ 3,20 e a Selic estável, a inflação esperada para 2017 já é de 4,3% e para 2018 de 3,9% – portanto, abaixo da meta. Mas no cenário de mercado, que utiliza o câmbio e a Selic projetados pelos economistas do setor financeiro, a inflação esperada para 2017 é de 4,9% e para 2018, de 4,7%.

Para o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, a ata sinalizou que o BC deve cortar a Selic em apenas 0,25 ponto em novembro, e não em 0,50 ponto. Caso contrário, a instituição corre o risco de não levar a inflação para a meta em 2017. “Um destaque importante é a pausa na desaceleração dos preços de serviços, que, segundo a ata, já vinha numa velocidade aquém do necessário”, comentou.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Souza Leal, também prevê corte menor da Selic em novembro. “Salvo uma mudança no discurso, colocando outro item no radar, dificilmente haverá espaço para aceleração do corte.”

Na área fiscal, a ata reconheceu avanços do governo na aprovação de ajustes, mas deixou claro que o processo deve continuar. Somente assim seria possível, na visão da instituição, promover cortes maiores da Selic.

Crescimento. Uma das principais preocupações dos economistas do mercado e do próprio governo atualmente, o ritmo da atividade também foi abordado pelo BC na ata. Os membros do Copom afirmaram que “os indicadores de agosto situaram-se abaixo do esperado”, mas ponderaram que oscilações tendem a ocorrer em momentos assim, de estabilização da economia. Ainda assim, o BC aposta numa “possível retomada gradual da atividade econômica”. / COLABORARAM MARIA REGINA SILVA, DENISE ABARCA, RICARDO LEOPOLDO E THAÍS BARCELLOS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.