Ritmo de crescimento já está em queda, diz Mantega

ENVIADO ESPECIAL / MADRI

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

O Brasil viveu um período de superaquecimento não-sustentável da economia, mas o ritmo já está em queda, garantiu ontem, em Madri, o ministro da Fazenda. Guido Mantega reconheceu que o país cresceu de fato em torno de 9,85% no primeiro trimestre do ano, como indicou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), mas estimou que a curva de ascensão já é menos acentuada no segundo período do ano.

Segundo o ministro, a aceleração se deveu aos juros mais baixos e aos estímulos à atividade, ainda em vigor no período, mas já retirados. A avaliação foi feita a pedido do Estado durante o seminário "Aliança para a Nova Economia Global", promovido na capital espanhola pelos jornais El País e Valor Econômico.

Mantega confirmou que a estimativa do BC "é realista", contrariando o discurso de seu secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que no Rio afirmou continuar trabalhando com a perspectiva de crescimento entre 7,5% e 8,5% para o período.

"O primeiro trimestre será o mais aquecido do ano porque havia um conjunto de estímulos em vigor, como o compulsório, já retirado pelo Banco Central, e uma taxa de juros mais baixa, que já subiu", disse Mantega, garantindo: "A situação já mudou". Para ele, a questão é saber como serão os próximos trimestres. "Mas controlar o aquecimento é uma tarefa boa", brincou.

Os dados do BC mostrando o superaquecimento não foram os apresentados por Mantega à plateia de investidores. O ministro disse que "não há mais crise no Brasil", e alertou que apresentava em sua palestra uma "previsão moderada" de expansão.

"Os países que vão liderar o crescimento mundial nos próximos anos são os emergentes, os Brics. São a China, a Índia e a Rússia", afirmou. "O Brasil faz parte dos Brics e terá crescimento entre 5,5% e 6%."

Também presente ao evento, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, demonstrou não estar familiarizado com os dados do BC. Ao ser indagado sobre o ritmo de crescimento próximo a 10%, perguntou se os dados eram do IBGE.

Convidado a analisar a estatística, ponderou: "É uma taxa anualizada, baseada em uma taxa muito baixa do ano passado. Ela precisa ser relativizada". Coutinho repetiu as mesmas explicações de Mantega para o aquecimento, e reconheceu que o ritmo não pode ser mantido.

Segundo ele, para que o Brasil possa crescer 10% ao ano de forma segura, a taxa de poupança-investimento agregado precisa atingir 25% do Produto Interno Bruto. "Neste ano ela vai voltar para 19%. Estava chegando perto de 20% antes da crise, caiu para 16,9%, e está voltando."

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