Ritmo de criação de emprego formal diminui

Lupi não admite falar em desaceleração, mas dados do Caged mostram que em maio foram abertas 252 mil vagas ante as 294 mil apuradas em abril

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

Os números do mercado de trabalho em maio, divulgados ontem pelo governo, não deixam dúvida de que o desempenho do emprego no País está em desaceleração. Por qualquer perspectiva que se olhe, o resultado foi menor do que seus similares. Foram gerados 252 mil postos com carteira assinada, já descontadas as demissões do período. Em abril, de acordo com dados revisados, o saldo foi de 294 mil.

Mesmo antes da revisão, tradicionalmente feita nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o resultado de maio foi inferior. Na primeira leitura de abril, por exemplo, o governo apontava uma criação de 272,2 mil postos de trabalho. Em relação a maio de 2010, a diferença é ainda maior. A primeira leitura mostrava a abertura de 298 mil postos, dado que foi elevado para 350 mil.

O resultado de maio também ficou aquém das expectativas do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que havia previsto um número maior do que o verificado em abril. Ainda assim, o ministro voltou a arriscar uma projeção otimista para junho e para o ano.

Apesar do confronto de números, Lupi insistiu que o Brasil deve encerrar o ano com 3 milhões de empregos formais abertos no País. Para isso, conta com uma economia mais pujante nos próximos meses. "Vocês serão surpreendidos no segundo semestre", disse ontem aos jornalistas que colocavam em xeque tanto otimismo. Em 2010, ano de forte crescimento econômico, o Brasil criou 2,584 milhões de novas vagas formais.

Outro recorte que mostra a desaceleração do mercado de trabalho é a diferença de pouco mais de 200 mil vagas entre o acumulado de janeiro a maio deste ano com o registrado no mesmo período de 2010. Nos últimos cinco meses, foram criados 1,172 milhão de empregos com carteira assinada. "Atingimos hoje o primeiro milhão de empregos do governo Dilma Rousseff", disse Nos cinco primeiros meses de 2010, no entanto, o volume era maior, de 1,384 milhão.

Ofensa à inteligência. Mais do que a apresentação de projeções positivas para o futuro, Lupi não admite que se fale em desaceleração no mercado. "Chega a ser ofensa à inteligência dizer que o País está gerando menos emprego. Desaceleração é quando a diferença é muito grande", alegou. Depois admitiu, porém, que a construção civil não apresentou dados tão robustos quanto esperava no mês passado. Pelos números do Caged, foram 28,9 mil novos postos.

Na realidade, a grande surpresa de maio foi a geração de empregos no setor rural. O campo criou 79,6 mil postos formais e desbancou o setor de Serviços, que costuma encabeçar a lista de maior geração de vagas todos os meses. Desta vez, o saldo foi de 71,2 mil postos. Já a indústria da transformação foi responsável por empregar 42,3 mil pessoas com carteira assinada.

Como em praticamente todos os meses, o Estado de São Paulo continua a apresentar o maior volume absoluto de contratações formais (86,7 mil vagas). Em maio, também se manteve uma tendência: a de que o interior gera mais empregos (143,8 mil) do que suas respectivas regiões metropolitanas (65 mil).

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