Ritmo de expansão do Brasil é maior que o dos ricos

Desempenho do segundo trimestre fica bem abaixo, porém, de países emergentes como China e Índia

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O Brasil apresenta uma taxa de recuperação econômica superior à dos países ricos. Mas vários países emergentes, principalmente da Ásia, têm mostrado crescimento superior ao brasileiro. Para praticamente todos, os sinais do segundo trimestre são de que a pior fase da crise ficou para trás.

Na maioria das economias industrializadas, a recuperação ainda é tímida. Para analistas e até para o governo dos países ricos, a recuperação será lenta, mesmo diante dos pacotes de estímulo fiscal, que atingem US$ 2 trilhões.

A questão que se discute é o que ocorrerá com essas economias quando as "muletas" forem retiradas do paciente. "Hoje, a economia mundial é um paciente que sabe que anda com muletas sólidas, que são os pacotes de ajuda dos governos. O que ninguém sabe é o que ocorrerá quando essas muletas forem retiradas", disse ao Estado o presidente do Banco de la Nación (banco central) Argentina, Martin Redrado.

Isso porque, de fato, o crescimento dos países ricos tem sido mínimo. Enquanto o Brasil cresceu 1,9% no segundo trimestre, a Europa teve queda de 0,1%. Ontem, o Japão também anunciou que saiu da recessão, com expansão de 0,6% ante o primeiro trimestre e de 2,3% em ritmo anual. Exportações e consumo doméstico garantiram a retomada.

Nos Estados Unidos, a economia encolheu 1% no segundo trimestre. Outro país do G-8, o Canadá, registrou ainda queda de 3,4% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2008. Em junho, porém, os dados mostraram expansão de 0,1%. Mesmo assim, o resultado foi comemorado como o primeiro crescimento em 11 meses, depois de mais de US$ 60 bilhões em incentivos públicos. No primeiro trimestre, a queda havia sido de 6,1%, a maior desde os anos 60.

Do lado europeu, os dados também apontam que a tempestade já passou. As 16 economias da zona do euro encolheram 0,1% no segundo trimestre, quinto período de queda. O resultado foi melhor que o tombo de 2,5% no primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2008, a queda é ainda profunda, de 4,7%.

A Alemanha foi uma das responsáveis pela melhora nos índices europeus. Graças aos gastos públicos e incentivos aos consumidores de 85 bilhões, o país deixou para trás sua pior recessão desde a 2ª Guerra Mundial e cresceu 0,3%. A França cresceu 0,3% no segundo trimestre, depois da contração de 1,3% no primeiro.

Os suecos também já saíram da recessão, com crescimento de 0,2% no segundo trimestre. Em comparação com o ano anterior, a queda é de 6%. República Checa, Grécia e Portugal também deixaram a recessão, embora com taxas baixas.

O Reino Unido ainda apresentou entre abril e junho uma queda de 0,8%. Mas as indicações são de que a recessão terminará no atual trimestre.

Quem ainda decepciona é a Itália. Ontem, Roma anunciou que sua economia continua em queda, com a redução de exportações e investimentos ainda mais profunda que os pacotes do governo. Em comparação com 2008, a contração italiana já é de 6%. No primeiro trimestre, a queda foi de 2,7%.

A mesma situação de crise prolongada vive a Espanha, que, no trimestre, ainda teve contração de 1%, com indicações de que sairá da crise só depois do restante da Europa.

EMERGENTES

Os países emergentes têm apresentado dados mais positivos, exceto os que dependem do mercado americano. No México, a economia encolheu 1,1% no segundo trimestre. Em taxa anualizada, o tombo é de 10,3%. O índice é praticamente o mesmo do primeiro trimestre, de queda de 10,6%.

No grupo dos Brics, China e Índia continuam em expansão - nem chegaram a entrar em recessão. A Rússia é o único membro do grupo em situação pior que a do Brasil. Seu Produto Interno Bruto (PIB) recuou 10,9% no segundo trimestre, ante o mesmo período do ano passado.

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