Ritmo de queda no varejo deve diminuir, diz IBGE

O técnico do departamento de comércio do IBGE, Nilo Lopes, disse hoje que o varejo "deve começar a regredir o ritmo de queda nas vendas a partir dos dados de julho, mas não dá para esperar taxas positivas". Pesquisa de junho divulgada hoje mostrou queda de 5,37% nas vendas ante igual mês do ano passado, a sétima redução consecutiva nessa base de comparação. Segundo ele, o controle da inflação e a trajetória de queda dos juros deverão melhorar gradualmente o desempenho do comércio a partir de agora. A pesquisa do IBGE divulgada hoje revelou que o setor vendeu em junho 13% menos do que o faturamento registrado na média do ano 2000.A alta dos juros e a reduzida confiança dos consumidores foram os principais fatores para a queda de 10,4% nas vendas de móveis e eletrodomésticos no primeiro semestre deste ano ante igual período do ano passado, segundo destacou o técnico do departamento de comércio do IBGE, Nilo Lopes. O segmento é destaque também no indicador acumulado dos últimos 12 meses (-6,11%). Lopes sublinhou também que as dificuldades de recuperação de margens de lucro do segmento pode ser exemplificada pelo aumento da receita nominal no semestre (4,67%), em porcentual bem inferior ao registrado pelo comércio em geral (15,24%). O economista disse, entretanto, que as vendas de móveis e eletrodomésticos vem reduzindo a intensidade de queda na comparação com igual mês do ano passado (-16,22% em abril, -10,7% em maio e -4,73% em junho) porque as "recentes medidas econômicas, como controle da inflação e redução dos juros, começam a incentivar quem quer investir em bens de consumo duráveis". No entanto, ele admitiu que a redução no ritmo de queda está longe de sinalizar sinais positivos para o segmento. "Por enquanto só dá pra falar em menor intensidade na redução das vendas", afirmou. Veículos e motosAs vendas de veículos e motos caíram 11,65% no primeiro semestre deste ano ante igual período do ano passado. O segmento é pesquisado pelo IBGE mas não é levado em conta na ponderação da pesquisa mensal de comércio. As vendas desse segmento vêm apresentando quedas significativas desde março, quando houve redução de 18,99% ante igual mês do ano passado. Foram registradas quedas também em abril (-21,26%) e junho (-4,44%).A queda de junho ocorreu sobre uma base já bastante deprimida do mesmo mês de 2002, que havia registrado queda nas vendas do segmento de 24,58%. O segmento foi também o único pesquisado a apresentar queda na receita nominal no semestre (-6,49%). Em junho, entretanto, houve um pequeno aumento na receita (2,09%) ante igual mês do ano passado.Hipermercados e supermercadosO aumento do desemprego e a queda no rendimento real dos trabalhadores manteve em junho os impactos negativos sobre as vendas do segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-8,27% ante igual mês de 2002), segundo destacou o técnico Nilo Lopes. O segmento vem apresentando queda nas vendas há 10 meses consecutivos, sob impacto também do crescimento da inflação a partir do final do ano passado."Com a volta do processo inflacionário no ano passado, os segmentos de primeira necessidade foram atingidos, as classes menos favorecidas são as que primeiro deixam de consumir", disse. O segmento acumulou queda de 6,63% no primeiro semestre deste ano e redução de 4,58% nas vendas nos últimos 12 meses. Por outro lado, houve crescimento de 16,36% na receita nominal em junho e de 16,44% no acumulado do ano o que, segundo Lopes, mostra que o segmento está sendo bem-sucedido na manutenção de margens de lucratividade, apesar das quedas no faturamento.Combustíveis e lubrificantesAs vendas de combustíveis e lubrificantes mantiveram em junho a trajetória de queda iniciada em janeiro deste ano, como resultado do reajuste de preços e da queda na renda dos consumidores. Em junho o segmento apresentou recuo de 0,69% nas vendas, acumulando no semestre redução de 4,7%. Os bons desempenhos de vendas registrados no ano passado evitaram uma queda no indicador acumulado de 12 meses, que apresentou variação positiva de 1,59%. O crescimento da receita nominal do segmento foi a maior entre os pesquisados pelo IBGE tanto em junho (16,36%) quanto no acumulado do semestre (29,66%). A receita média nominal do comércio cresceu 14,96% em junho e 15,24% no semestre.

Agencia Estado,

13 de agosto de 2003 | 12h33

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