Ritmo de venda de veículos deve cair mesmo com IPI reduzido, diz analista

Segundo Julian Semple, da Carcon Automotive , houve uma antecipação de compra de automóveis por parte do consumidor nos últimos três meses  

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado,

29 de agosto de 2012 | 18h08

SÃO PAULO - A estratégia do governo federal de manter a alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de veículos até outubro deve surtir, desta vez, efeito menor sobre as vendas a partir de setembro. Para o consultor sênior da Carcon Automotive Julian Semple, houve uma antecipação de compra de automóveis por parte do consumidor nos últimos três meses. O total de emplacamentos previstos ao mês a partir de setembro deve ficar, portanto, em um patamar abaixo do que será registrado em agosto, quando o setor espera recorde de vendas.

"Os próximos meses deverão ter vendas em níveis mais baixos que os observados nos últimos três meses pois houve uma antecipação das compras pelo consumidor", afirma. Se confirmada a desaceleração prevista pelo analista, o setor fechará o ano com aumento de 4,2% nos emplacamentos, número próximo à expectativa de 4% apontada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) quando a entidade divulgou os números do setor relativos a julho, no início deste mês.

Na ocasião, a Anfavea deixou claro que o cenário projetado levava em conta o fim do benefício do IPI para veículos, previsto para esta sexta-feira, 31 de agosto, data estipulada no decreto que instituiu o incentivo. Hoje, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a manutenção das alíquotas de IPI para automóveis até o final de outubro. A entidade ainda não se pronunciou sobre o novo prazo do benefício.

De acordo com Semple, as vendas de agosto devem ficar entre 385 mil e 390 mil unidades, resultando em um acumulado nos oito primeiros meses de 2012 de 2,37 milhões de veículos leves comercializados. "Deve haver uma média de emplacamentos de 300 mil mensais até o fim do ano, o que resultaria em 3,57 milhões de veículos leves vendidos, um aumento de 4,2%. Portanto, em linha com a estimativa da Anfavea."

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