Ritmo lento na redução de juros preocupa Fipe

A redução de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, decidida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) é positiva, segundo o professor de economia da USP e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)-Fipe, Heron do Carmo. A Selic passou de 26,5% ao ano para 26% ao ano. Mas o ritmo lento de corte na taxa Selic, diz o economista, é preocupante. Cálculos simples feitos por Heron mostram que, com a manutenção da política gradualista de corte de juros em 0,5 ponto porcentual por mês, a taxa nominal estará em 14% até o final do ano que vem. "Ainda assim, a taxa de juro real estaria muito elevada já que a taxa projetada de inflação gira em torno de 4%. Por isso, me preocupa o ritmo de queda", diz Heron. Ele ressalta que, mesmo com o novo patamar de juros de 26% ao ano, tendo como base a inflação projetada para 12 meses à frente de 7%, a taxa de juro real ainda seria muito elevada. "Em termos de pontos base, estamos com uma taxa de risco de cerca de 1.800 pontos, considerando os juros atuais. Além disso, há um diferencial muito grande entre as taxas de juros nos Estados Unidos e Europa", destaca o professor da USP. Ainda segundo Heron, ninguém em sã consciência poderia exigir que o Banco Central corte de uma só vez de três a cinco pontos porcentuais na taxa de juros. Mas, de acordo com ele, não se pode também ignorar que a conta de juros do Brasil é de 10% do PIB.

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