Ritual da ''pedra fundamental'' segue tradições das empresas

Toyota e Fiat fizeram ''cápsulas do tempo'' que são enterradas ao lado das obras e abertas só[br]daqui a 50 anos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Munidos de pás e luvas brancas, executivos da Chery, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito de Jacareí, Hamilton Ribeiro Mota, e outras autoridades simularam o início das obras jogando areia ao lado da placa de bronze com dados sobre a nova fábrica, no chamado lançamento da pedra fundamental.

O ritual é executado por grandes empresas, cada uma seguindo tradições próprias. Fiat e Toyota, por exemplo, optaram por "cápsulas do tempo", caixas de aço com itens como fotos do terreno, cédulas do dinheiro local e edição de jornal do dia. As cápsulas são enterradas ao lado de um dos pilares da construção para serem abertas daqui a 50 anos.

A Toyota enterrou sua cápsula em cerimônia da pedra fundamental da fábrica de Sorocaba (SP) em setembro do ano passado. O início da produção está previsto para o fim de 2012.

Já a Fiat colocou artigos em uma cápsula esmaltada em dezembro de 2010 para marcar as obras da fábrica próxima ao Porto de Suape, em Pernambuco. Presente ao evento, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou um bilhete escrito à mão. O conteúdo só será conhecido em 2060.

A caixa da Fiat está guardada na empresa, pois, embora tenha inicialmente escolhido a região de Suape, agora o grupo avalia outra cidade, Goiana, para instalar sua segunda fábrica. Tudo vai depender das vantagens oferecidas pelo governo estadual.

A Volkswagen também fez cerimônia de pedra fundamental em fevereiro para marcar as obras da nova linha de pintura na fábrica de Taubaté (SP). O grupo escolheu uma pedra em mármore com uma placa. Ela está posicionada junto ao passeio de uma rua interna da fábrica, ao lado das obras do prédio onde funcionará a nova linha.

Em fevereiro, a coreana Hyundai colocou uma placa em bronze em área que abrigará a fábrica de Piracicaba (SP), que estará pronta em 2012. Na década de 90, após evento que reuniu o então presidente Fernando Henrique Cardoso, a Asia Motors também fez sua cerimônia de pedra fundamental, mas o projeto nunca se concretizou.

PARA LEMBRAR

Além da fábrica da Chery, há hoje no Brasil mais 12 projetos em construção ou em análises de fabricantes de veículos. O mercado interno, em crescimento contínuo desde 2004, com previsão de chegar a 6 milhões de unidades em dez anos, estimulou Fiat, Toyota, Nissan e Hyundai a construírem novas fábricas no País. Suzuki, BMW e Lifan terão suas primeiras unidades. Já PSA Peugeot Citroën, Renault e General Motors estudam novas filiais. Outras duas pretendentes são a Paccar/DAF e o grupo EBX. O País já abriga 19 fabricantes de automóveis e comerciais leves, com 24 fábricas.

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