Rivais ‘rondam’ a Brasil Kirin‘Vamos investir R$ 100 milhões no Brasil até 2017’

Cinco anos após comprar a Schincariol, o grupo japonês Kirin vê seus ativos no Brasil virarem alvo de grandes cervejarias internacionais – entre elas Heineken, Ambev e Carlsberg. Desde que assumiu o grupo, por mais de R$ 6 bilhões, a Kirin viu sua posição se enfraquecer; hoje, sua capacidade instalada é bem maior do que suas vendas. Entre as opções estão a venda total dos ativos ou um “fatiamento”, dizem fontes.

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2016 | 03h00

A holandesa Heineken estaria de olho em todos os ativos de bebidas da Kirin, apurou o Estado, embora a negociação ainda não seja formal. Uma fonte afirmou, porém, que representantes da Heineken tiveram uma reunião com a Kirin no Japão, no fim de junho, para tentar definir bases para uma negociação formal.

O apetite da Heineken é grande, pois a empresa viu sua posição global ser enfraquecida após a união entre AB InBev e SAB Miller, que hoje dominam cerca de 30% do mercado global de cervejas. Dentro do portfólio global de bebidas da Kirin, o principal interesse da Heineken é o Brasil. A holandesa, que entrou no País após a compra da Femsa, conseguiu crescer e solidificar sua marca como “premium” e superar a Kirin em termos de vendas, com 9,4% do setor.

Entre as demais candidatas pelo ativo, a Carlsberg poderia usar a Kirin para finalmente se estabelecer de forma relevante no País. Para a Ambev, a alternativa seria adquirir, por um preço baixo, as fábricas da Kirin para vendê-las posteriormente, com a meta de proteger sua posição de domínio de dois terços do setor.

Procuradas, Heineken, Carlsberg e Ambev não comentaram. Em nota, a Kirin “nega toda e qualquer especulação sobre sua posição estratégica”.

O executivo brasileiro André Inserra assumiu a presidência para as Américas da fabricante de escadas rolantes e elevadores Atlas Schindler, função que será acumulada com o comando da operação brasileira. Uma das metas do executivo será ampliar a sinergia das operações da região, do Canadá à Argentina. E a sua primeira prova já está em curso: transformar a fábrica da empresa em Londrina (PR) no centro exportador para a América Latina – função antes ocupada pela China.

O Brasil será fornecedor para toda a região das Américas?

Essa é uma grande mudança. A operação brasileira vai suprir de elevadores todos os mercados do México para baixo. Essa era uma função da China, mas nós temos uma fábrica preparada e dominamos a logística da região.

A desvalorização do real pesou?

O patamar do dólar acima dos R$ 3 coloca a gente num nível mais competitivo. Mas, primeiro, pesou o fato de que a fábrica é uma excelência em produção mundialmente. Tirando alguns produtos muito especiais, que são produzidos com escala muito baixa, tudo o que se faz no mundo, é feito aqui.

Essa mudança vai trazer algum investimento adicional?

Vamos investir R$ 100 milhões em dois anos, até 2017, pensando unicamente no Brasil. O foco é investir em 150 novos postos no País, além de comprar um novo terreno e construir uma novo prédio para a matriz em São Paulo.

O sr. disse, em 2013, que não havia bolha imobiliária. O que acha agora?

Não. O que aconteceu é que a recessão foi muito rápida, que surpreendeu o mundo inteiro. Mas o mercado é resiliente. Antes do ‘boom’, comprava 6 mil elevadores por ano. No auge, chegou a 14 mil; e serão 8 mil em 2016.

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