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Rivais também na caça aos executivos

Contratação de executivo da Gol pela TAM reacende discussão sobre ética na troca de emprego

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

A contratação, este mês, do executivo da Gol David Barioni Neto pela concorrente TAM reacendeu uma velha discussão: estariam os executivos cometendo um ''''pecado'''' quando trocam sua empresa pela grande rival? Para o presidente da consultoria Partnership & Learning, Robert Wong, ninguém muda de empresa por mudar. ''''Em geral, ou a pessoa recebe uma proposta muito boa, ou já estava insatisfeita e sua alma não estava mais naquele negócio'''', afirma. ''''Mudanças podem ser muito benéficas, para a carreira do executivo e para a empresa contratante.''''No caso de Barioni, que assumiu o cargo de vice-presidente de operações da TAM, foram sete anos de Gol - foi um dos fundadores da empresa. ''''Parto levando comigo o orgulho de ter participado de uma das mais belas páginas da aviação brasileira'''', escreveu, em e-mail enviado aos funcionários da empresa quando anunciou sua saída. E levou também, claro, muitas informações estratégicas não só sobre o mercado de aviação, mas principalmente sobre a Gol.''''É impossível apagar da memória todas as informações que ele tem sobre a empresa onde trabalhou'''', diz o sócio-diretor da Panelli Mota Cabrera Associados, Luis Carlos Panelli. ''''Mas não seria ético utilizar o que ele sabe para, por exemplo, sugerir uma estratégia à TAM que neutralize as iniciativas da Gol.'''' Fora isso, o headhunter diz que não há pecado algum em ir trabalhar para a concorrência. Segundo pessoas próximas a Barioni, o motivo de sua saída seria a insatisfação com a política salarial da Gol. Procurado, ele preferiu não dar entrevista. Disse apenas que ainda está em processo de adaptação.''''Um caso tão específico como o de Barioni, em que você fala de um setor onde há apenas duas empresas dominantes, e uma contrata o executivo da outra, não acontece todos os dias'''', diz Panelli. ''''Em setores com mais concorrentes, como o automotivo, ou o agronegócio, mudanças no alto escalão são absorvidas mais facilmente.'''' Segundo ele, o mercado deve acompanhar as primeiras atitudes do executivo. ''''Se não ocorrer nenhuma situação conflitiva com sua antiga empresa, o mercado logo compreenderá a situação.''''Ele cita o caso, ocorrido há alguns anos, de Ricardo Gonçalves, que deixou a Nestlé para assumir a Parmalat. ''''Ele foi como uma esperança de solução para a empresa, mas não teve tempo para isso.''''Para a sócia da Fesa Global Recruiters, Aline Zimermann, ir trabalhar para o concorrente faz parte do jogo. ''''Sempre aconteceu, sempre acontecerá. Há situações em que trazer executivos de fora não é a melhor solução, então você vai procurar na concorrência.''''Nem todos os executivos, porém, aceitam esse tipo de propostas. Segundo Aline, há uma minoria que, durante processos seletivos, prefere não atuar em empresas do mesmo setor por ter uma ligação muito forte com a empresa anterior. E há também uma outra, segundo ela: ''''Com a governança corporativa e a transparência nos processos, um executivo que tire proveito de uma situação como essas está com a carreira arruinada.''''A única situação, segundo os consultores, em que os executivos devem recusar convites de qualquer maneira é para se tornarem membros de conselhos. ''''Estes não podem ter ligação alguma com empresas concorrentes'''', lembra Panelli.

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