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Rival do McDonald's ganha 'força' de Putin

Com apelo nacionalista e o uso de ingredientes locais, cineastas famosos do país recorrem a empréstimo oficial para tentar criar rede russa de fast-food

FRED WEIR, CHRISTIAN SCIENCE MONITOR

14 Abril 2015 | 02h02

Dois famosos diretores de cinema russos, os irmãos Andrei Konchalovsky e Nikita Mikhalkov, querem seguir o exemplo de muitas celebridades de Hollywood e abrir sua própria rede de restaurantes. Mas com uma peculiaridade. Os irmãos não vão abrir seu restaurante por hobby ou para diversificar investimentos. Querem aumentar a consciência patriótica para os perigos do fast-food ocidental e tirar redes populares de lanchonetes como McDonald's do mercado russo.

Para isso, pediram ao governo de Vladimir Putin, de quem são amigos pessoais, um investimento de US$ 18 milhões no projeto. Os próprios irmãos responderiam por 30% dos custos da nova startup. Há informações de que a maior parte do valor (cerca de US$ 14 milhões) teria sido aprovada.

O jornal moscovita Kommersant, que abordou o assunto na sexta-feira, publicou trechos da carta dirigida a Putin pelos dois cineastas, na qual eles sublinham "o caráter político e social" do empreendimento, uma rede de restaurantes fast-food saudável e cafeterias, que começariam a ser abertos em Moscou e Kaluga, com o nome "Comendo em Casa". "O objetivo do projeto é facilitar a substituição de importados e criar uma alternativa às redes de fast-food ocidentais", diz a carta.

Nacionalismo. Segundo especialistas, o texto atinge em cheio o pensamento econômico atual. "Substituição de importados" é o mote atual da tentativa de retomada da economia da Rússia, justamente no momento em que o país enfrenta sanções econômicas ocidentais. Os irmãos explicam que os restaurantes darão preferência a produtos locais e atenderão hospitais, escolas e orfanatos.

No que é considerado também um apelo patriótico, eles visam explicitamente a rede de fast-food McDonald's, que hoje tem 440 restaurantes no país. Embora a operação russa seja gerida localmente, a rede americana é vista como um símbolo a ser derrubado.

A nova cadeia de fast-food "patriótica", embora financiada pelo Estado, será um negócio familiar. Será administrada pela mulher de Konchalovsky, a atriz Yulia Vysotskaya, que já tem uma programa de culinária e uma linha de produtos convenientemente chamada "Comer em casa".

Konchalovsky trabalhou em Hollywood na década de 80 (dirigiu Tango & Cash, com Sylvester Stallone). Mikhalkov ganhou em 1995 o Oscar de melhor filme estrangeiro por O Sol Enganador, retrato do país durante a repressão do regime de Stalin. "É um projeto muito contemporâneo", disse Nikolai Svanidze, personalidade da TV russa. "Mikhalkov tem acesso 'ao número um' e pode fazer lobby. E vende tudo com patriotismo. Hoje, todo projeto precisa ter uma conotação patriótica". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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