Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Roberto Castello Branco será o indicado de minoritários à presidência do conselho da Vale

De saída da Petrobras, após críticas do presidente Jair Bolsonaro à política de preços da estatal, executivo foi diretor da Vale de julho de 1999 a janeiro de 2014

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 20h28
Atualizado 11 de março de 2021 | 22h47

Um grupo de acionistas minoritários da Vale se articula para indicar uma lista de candidatos ao conselho de administração da mineradora, que ontem apresentou 12 nomes para o mandato 2021-2023. O Estadão/Broadcast apurou que o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, terá seu nome indicado ao comando do conselho. O executivo está deixando a estatal, após críticas do presidente Jair Bolsonaro à política de preços da empresa terem culminado na indicação do general Joaquim Silva e Luna para o cargo.

Castello Branco foi diretor da Vale de julho de 1999 a janeiro de 2014. Sua saída da Petrobrás foi mal recebida pelo mercado, que interpretou o episódio como interferência política de Bolsonaro na petroleira. Além dele, serão indicados mais três nomes: o já conselheiro independente Marcelo Gasparino, o ex-presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec) Mauro Rodrigues da Cunha e a CEO da Lacoste, Rachel de Oliveira Maia.

Procurada, a Vale disse que não iria comentar o assunto.

O ex-presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec) e conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Mauro Rodrigues da Cunha, será indicado como vice-presidente do Conselho. Recentemente, Cunha fez severas críticas à proposta da Vale de adotar o voto negativo nas eleições do colegiado, que comparou a um "sistema de bolas pretas adotado por alguns clubes sociais."

O modelo de eleição proposto pela mineradora recebeu voto contrário de dois conselheiros independentes da Vale, entre os quais Gasparino. Procurado pelo Broadcast, após registrar em ata voto contra as indicações da Vale, ele afirmou que se candidataria com o apoio do fundo Geração Futuro, mas sem mencionar outros nomes. Segundo fonte próxima à companhia, há outros fundos envolvidos na indicação.

A quarta candidata seria a CEO da Lacoste no Brasil, Rachel de Oliveira Maia. Mulher e negra, ela se encaixa nos quesitos de diversidade apontados pelo Comitê de Nomeação da Vale - responsável pela seleção dos nomes indicados pela companhia. Em um relatório, o órgão afirmou que as conselheiras mulheres são mais propensas a incluir questões sociais entre as prioridades estratégicas das companhias. Ao mesmo tempo, registra a "frustração por não ter sido possível avançar na diversidade de raça" nas indicações.

A Vale divulgou ontem a lista com a indicação de 12 candidatos ao conselho de administração 2021-2023. São 12 membros, oito deles classificados como independentes. A eleição marcada para o dia 30 de abril na Assembleia-Geral Ordinária (AGO) fará uma renovação parcial do colegiado: cinco indicados serão novos membros e os demais já atuam no board da mineradora.

São eles: José Luciano Penido (no conselho desde maio de 2019), Fernando Buso (desde abril de 2015), Clinton Dines (novo membro), Eduardo Rodrigues (desde maio de 2019), Elaine Doward-King (novo membro), José Maurício Coelho (no conselho desde maio de 2019), Ken Yasuhara (novo), Maria Fernanda Teixeira (novo membro), Murilo Passos (desde dezembro de 2019), Ollie Oliveira (novo), Roger Downey (desde dezembro de 2019) e Sandra Guerra (desde outubro de 2017). Penido e Buso são indicados para ocupar, respectivamente, a presidência e a vice-presidência do conselho.

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