Rock e Cerveja

Parceria com bandas históricas é uma das estratégias adotadas pelas cervejarias artesanais atualmente; a outra é exportar

RODRIGO REZENDE, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h12

Rock'n roll, talvez o gênero musical mais conhecido do planeta, combina com cerveja, mas harmoniza - e muito - com a estratégia de crescimento das cervejarias artesanais, que apostam em rótulos alusivos ao tempo de estrada de determinadas bandas, ou que celebram uma música de sucesso.

Um exemplo é a Bamberg, com sede em Votorantim (SP). O negócio, que nasceu em 2005 e faturou R$ 3,5 milhões em 2013, fabrica a cerveja que estampa a marca dos Paralamas do Sucesso (O Calibre), do Nenhum de Nós (Camila, Camila), da banda Raimundos (Raimundos Halles) e do Sepultura (Sepultura Weizen). Juntas, elas representam entre 7% e 8% do faturamento.

"Estou entrando (com esses produtos) em um público leigo, fora do pessoal que toma cerveja artesanal. É para atingir o fã da banda. Com isso, ele começa a tomar outras cervejas artesanais", afirma Alexandre Bazzo, um dos proprietários da empresa. As cervejas rock, diz o empresário, têm boa demanda. A Bamberg, porém, está no limite de sua capacidade produtiva. Por isso, Bazzo revela que a cervejaria trabalha atualmente para aumentar em 7%, até o fim do ano, o volume de produção, hoje em 70 mil litros por mês - 60% chope e 40% da bebida envasada em garrafas.

Desde a sua fundação, a Bamberg já recebeu R$ 5 milhões em investimentos. A empresa fabrica 18 tipos de cervejas, incluindo algumas sazonais, como os rótulos alusivos ao carnaval, Natal e uma bebida para a Oktoberfest, tradicional festa cervejeira de Santa Catarina.

Instalada em Ribeirão Preto (SP), a Colorado também adotou a estratégia de fabricar uma bebida relacionada com o universo musical - ela produziu um lote especial, com 65 mil garrafas, da cerveja dos Titãs, criada para celebrar os 30 anos da banda.

De acordo com o dono da cervejaria, Marcelo Carneiro, a iniciativa rendeu lucros para a empresa, que está perto de completar 18 anos de existência. "Vamos continuar a procurar esse tipo de negócio, incluindo o desenvolvimento de cervejas colaborativas, feitas em parceria com outras cervejarias. Temos planos para criar uma ainda neste ano", afirma. A empresa faz 140 mil litros por mês; 85% da produção é engarrafada. O faturamento do empreendimento, em 2013, foi de R$ 13 milhões. Os planos para este ano são otimistas e a Colorado pretende crescer 77%.

O caso da Colorado, segundo o presidente da empresa, Ronaldo Morado, é diferente da maioria das cervejarias artesanais. "As pequenas apostam no chope, que tem uma tributação menor. Para sobreviver com cerveja artesanal de garrafa, só tem uma saída, a exportação."

Países como Estados Unidos, França, Canadá e Nova Zelândia já recebem produtos da empresa do interior paulista, que inclusive fabrica cervejas com ingredientes brasileiros para destacar-se no mercado internacional. Existe, por exemplo, uma bebida feita de garapa e outra que leva castanha-do-pará na formulação.

Em 2013, 5% do volume produzido foi exportado pela cervejaria. Neste ano, o plano de negócios prevê que esse porcentual deve subir para 10% e, em 2015, se a estratégia funcionar, saltar então para 20%. "O imposto para exportar é zero. Conseguimos uma margem para negociar preço, que às vezes fica menor do que aqui no Brasil, Se não fosse a exportação, a Colorado iria fechar", garante o presidente da empresa.

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