Rodada Doha beneficia mais os ricos, diz ONU

Uma liberalização do comércio agrícola geraria ganhos de até US$ 32 bilhões à economia mundial e os países ricos, que hoje mais resistem à abertura, é quem mais seriam beneficiados. Dados divulgados ontem pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento indicam que a América Latina teria ganhos modestos, de US$ 1,8 bilhão, valor bem inferior ao que era apontado há uma década como resultado da conclusão da Rodada Doha.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2013 | 02h07

No geral, o comércio de bens agrícolas cresceria 2,5% por causa da liberalização, ainda que certos setores tivessem uma expansão de mais de 26%, como no caso das carnes.

A ONU admite que um dos países que mais ganharia em vendas com uma liberalização seria o Brasil. Mas, ainda assim, no geral a expansão de exportações latino-americanas diante de uma abertura de mercados seria de pouco mais de 5%. A Europa veria a maior queda das exportações, com a redução dos subsídios. A contração seria de 1,7% em suas exportações de bens agrícolas.

Mas, ironicamente, seriam as economias ricas que mais teriam benefícios. Isso porque a abertura de mercados e a redução de subsídios significaria uma produção mais eficiente, a redução de gastos dos Estados e a possibilidade de que consumidores tenham acesso a bens mais baratos.

O resultado disso seriam ganhos de até US$ 5,6 bilhões para a economia da Europa, US$ 2,3 bilhões para os EUA e mais de US$ 3,9 bilhões para o Japão, duas vezes mais que toda a América Latina.

A ONU admite também que haveria uma mudança da produção, migrando de países menos competitivos para os mais competitivos, justamente na América Latina. Nesse caso, o estudo aponta que a produção mundial de bens agrícolas sofreria uma leve redução por causa da queda dos subsídios que mantêm níveis mais elevados nos países ricos.

Na América Latina, a expansão de produção seria de apenas 1,2%. Mas haveria uma queda de 2,2% no Japão e de quase 1% na Europa. / J.C.

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