Rodada Doha dará confiança aos mercados, diz Lamy

Diante da incerteza elevada nos mercados financeiros mundiais, o sistema de comércio internacional é uma fonte importante de estabilidade para governos, corporações e consumidores. "O comércio desempenhou esse papel muito bem há dez anos, durante a crise da Ásia, atuando na absorção de choques entre os setores financeiro e real da economia mundial", afirmou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, no Encontro de Primavera do Fundo Monetário Internacional, em Washington. Por isso, disse Lamy, a conclusão da Rodada Doha é a mensagem mais eficaz para dar confiança aos mercados financeiros mundiais. "As próximas semanas serão cruciais na Organização Mundial do Comércio (OMC). Então, por favor, ajudem-nos a avançar na conclusão da Rodada Doha agora", pediu Lamy aos 24 membros do Comitê Financeiro e Monetário, que representam os 185 países membros do Fundo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, representa a Constituency do Brasil no FMI, que agrega o Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago. Em discurso proferido ao Comitê, ele voltou a advertir sobre os riscos de um fracasso em Doha. Essa situação, comparou Lamy, é semelhante àquela do copo com água até a metade. "Estou completamente convencido de que temos meios políticos e técnicos para terminar a Rodada Doha este ano", disse. O primeiro passo, ponderou, é que até maio os membros da OMC concordem, em nível ministerial, sobre a estrutura para cortes de tarifas agrícolas, de subsídios agrícolas e de tarifas industriais. Lamy afirmou ao Comitê do FMI que as diferenças entre as partes nas negociações não são grandes. Tecnicamente, ele acredita que será possível fazer a ponte entre os posicionamentos dos ministros. O que é necessário, avaliou Lamy, é um posicionamento político das partes.

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