Rodrigues admite precipitação no diagnóstico da aftosa

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu nesta terça-feira que pode ter se precipitado ao considerar como foco as suspeitas de febre aftosa em quatro municípios do Paraná. No dia 22 de outubro, o ministro disse que a possibilidade da doença no rebanho paranaense chegava a 90% por causa do contato do rebanho do Paraná com o de Mato Grosso do Sul. "Pode ter havido precipitação de minha parte", afirmou.Por causa da suspeita, o comércio de carne de animais vivos, carne industrializada e subprodutos de 36 municípios do Paraná para outros Estados foi suspenso. A medida prejudicou a economia dos municípios interditados e impôs prejuízos aos produtores de leite locais, que foram obrigados a jogar fora toda a produção leiteira.Em audiência pública na Câmara dos Deputados, Rodrigues reconheceu que pode ter havido precipitação da área técnica do Ministério da Agricultura. No entanto, classificou como "tempestivas e positivas" as ações adotadas pela Secretaria de Agricultura do Paraná. "A questão é muito complicada do ponto de vista da credibilidade nacional. Não podemos errar nesse negócio. Precisamos ter clareza e transparência."Segundo Rodrigues, por precaução os animais suspeitos de aftosa no Paraná foram abatidos e as vísceras foram encaminhadas para análise no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), em Belém (PA). "Estamos quase procurando a aftosa para ter a certeza de que ela existe mesmo. É politicamente mais fácil explicar que era um foco de aftosa do que um sintoma não confirmado da doença. Nesse caso, estaríamos enfrentando um problema de credibilidade."A possibilidade de ajuda aos pecuaristas paranaenses prejudicados com a restrição de trânsito, segundo o ministro, será analisada caso não se confirme a suspeita do foco. Essa avaliação depende dos resultados dos exames. Pelo menos dois exames foram feitos e os resultados foram negativos. Os resultados que poderão confirmar ou descartar o foco sairão até o fim desta semana.O ministro disse ser favorável à antecipação da imunização do rebanho do Rio Grande do Sul. O Estado vacina animais em janeiro, fevereiro, junho e julho. A idéia, para evitar a contaminação do rebanho, é antecipar a vacinação para dezembro.Em relação à restrição de São Paulo a produtos de Mato Grosso do Sul e do Paraná, o ministro disse que a decisão cabe aos deputados. "Nenhum Estado pode fazer menos do que determina o governo federal, mas pode fazer mais, ou seja, restringir mais o comércio". O ministro calculou em US$ 300 milhões a redução do faturamento com as exportações de carne neste ano. "É dez vezes os recursos da Defesa."DESCOBERTA A febre aftosa foi descoberta na Itália no século XVI.Está presente de forma endêmica em regiões daÁsia, América do Sul, África e OrienteMédio. Houve surtos na Grécia,Taiwan,Argentina, Brasil,Uruguai, Japão e Reino Unido. SINTOMAS A febre aftosa é talvez a doença mais temida pelospecuaristas. Nos animais, ela provoca afta na boca e na gengiva,além de feridas nas patas e nas mamas. A vaca fica em estadofebril, não consegue pastar, perde peso e produz menos leite.Já nos humanos, são raros os casos decontaminação, mas eles não podem ser descartados.Os sintomas são febre leve e calafrios, bem como bolha nasmãos e na boca. Contudo, a doença não chega aprovocar risco de morte entre os humanos. CONTAMINAÇÃO Os animais que podem ser contaminados pelo aftovírus sãobois, porcos, cabras e ovelhas. No caso dos humanos, acontaminação é bem mais difícil e sóacontece se a pessoa ficar em constante contato direto com animaiscontaminados. TRANSMISSÃO o aftovírus pode ser transmitido pelo leite, carne e saliva doanimal doente. A doença também étransmissível para animais pela água, pelo ar e porobjetos e locais sujos. Humanos não transmitem o vírusentre si, mas podem levar na roupa, caso tenham entrado em umaárea onde há aftosa. PREVENÇÃO Não existe tratamento contra a Febre Aftosa e sim medidaspreventivas específicas pelo uso de vacinas. No Brasil, oprocesso mais aconselhável é a vacinaçãoperiódica dos rebanhos, assim como a imunização detodos os bovinos antes de qualquer viagem. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6meses, a partir do 3º mês de idade. No Estado de SãoPaulo deve ser feita nos meses de março e setembro. Naaplicação devem ser obedecidas asrecomendações do fabricante em relaçãoà dosagem, tempo de validade, método deconservação e outros pormenores.

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