Rodrigues dirá na TV que Lula garante recursos para defesa sanitária

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fará na noite de hoje um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para comentar o registro de um foco de febre aftosa no município de Eldorado, no Mato Grosso do Sul. No pronunciamento, Rodrigues lembrará que "ainda não é possível medir o impacto que esse foco terá sobre as exportações de carnes".O ministro acrescentou que é normal o embargo por parte de países importadores e lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "determinou que não faltem recursos para a defesa sanitária, mas ao mesmo tempo quer que sejam criadas penalidades para os responsáveis por eventos dessa natureza". Veja, abaixo, a íntegra do pronunciamento do ministro: "Boa Noite! Fomos surpreendidos esta semana com a ocorrência de um foco de aftosa no município de Eldorado, em Mato Grosso do Sul. Gostaria de prestar contas sobre as providências que estão sendo adotadas em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária daquele Estado para conter a doença.A partir do momento em que foi diagnosticada a existência do foco de aftosa, todos os procedimentos de emergência recomendados para situações dessa natureza foram implementados. Amostras dos animais foram colhidas e enviadas ao exame no Laboratório Nacional Agropecuário, em Recife. Após a confirmação da doença em 153 cabeças, a propriedade foi interditada e determinado o sacrifício de todos os seus 582 animais. Foram ordenadas a inspeção de todas as fazendas localizadas em um raio de 25km e a investigação epidemiológica para identificar a origem do foco. Foram também implantados postos de fiscalização, limitando o ingresso na propriedade somente aos funcionários que trabalham no caso. Foram ainda interditadas as propriedades localizadas nos municípios vizinhos. A interdição vai se prolongar até que estejam concluídos os testes que vão avaliar a circulação do vírus da aftosa.Como determinam as normas internacionais, tão logo foi confirmado o diagnóstico, enviamos um comunicado da ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal, em Paris, e ao Centro Pan-americano de Febre Aftosa. Foram também informados os países vizinhos e os países e blocos econômicos com os quais o Brasil mantém intercâmbio comercial.Este lamentável incidente mostra a importância de mantermos, todos nós, governos federal, estaduais e municipais, pecuaristas e indústrias, um estado de vigilância permanente sobre a saúde de nossos rebanhos.É importante esclarecer que a febre aftosa só ataca os animais, não tendo conseqüências para a saúde do ser humano. Somos hoje o maior exportador de carne do mundo. Só nos últimos 12 meses foram exportados mais de US$ 3 bilhões. Nossa carne está presente em 150 países. Todo esse extraordinário desempenho, no entanto, pode ser afetado pela ocorrência de um foco de aftosa. O respeito aos consumidores brasileiros e estrangeiros cobra de todos os elos da cadeia da carne um controle de qualidade cada vez maior. Qualquer vacilo pode ameaçar os ganhos extraordinários que a nossa carne vem obtendo. Ainda não é possível medir o impacto que esse foco terá sobre as nossas exportações de carne. Quando tomam conhecimento de um episódio desse tipo, os países importadores costumam impor medidas preventivas, como a suspensão das importações de produtos que possam transmitir a doença aos seus rebanhos. Alguns países importadores já tomaram essa providência. A maioria dessas restrições, no entanto, é retirada ou flexibilizada posteriormente, após os esclarecimentos necessários sobre a natureza e extensão do surto. Estamos empenhados para que as nossas exportações de carne para esses países sejam normalizadas o mais rapidamente possível.O presidente Lula determinou que não faltem recursos para a defesa sanitária, mas ao mesmo tempo quer que sejam criadas penalidades para os responsáveis por eventos dessa natureza. Ainda não é possível apurar as responsabilidades pelo foco de Eldorado, mas assim que forem concluídas as investigações nós iremos dar total divulgação aos resultados.Quero aproveitar este momento para fazer um apelo. Não basta o governo fazer a sua parte. É necessária a permanente vigilância de todos os agentes comprometidos com esta atividade. Ninguém pode deixar de fazer a vacinação, no tempo certo. Novembro é um mês de vacinação na maioria dos Estados brasileiros. Contamos que todos façam a sua parte. Boa noite e muito obrigado."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.