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Rodrigues diz que "buraco da agricultura é intapável"

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou hoje que os produtores perderam R$ 30 bilhões nos últimos dois anos. "O governo tem a clareza de que a crise é sem precedentes e que o buraco de R$ 30 bilhões é ´intapável´ por medidas emergenciais e de longo prazo."Na avaliação de Rodrigues, que participa hoje de Audiência Pública na Câmara dos Deputados, as medidas anunciadas pelo governo - três pacotes em menos de dois meses - dão algum alívio ao setor agrícola. "A maioria dos problemas está equacionada com o conjunto de medidas". Mas o governo, disse ele, está debruçado para avaliar a situação do setor. Ao calcular a perda de R$ 30 bilhões, Rodrigues disse que essa era "uma espantosa cifra". O ministro reafirmou que o governo está atendo à crise da agricultura e observa o efeito dominó, que é a queda na produção industrial, motivada apela crise do agronegócio.Alvo da fúria dos agricultores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu afago do seu colega da Agricultura. Depois de classificar Mantega como "um companheiro solidário e permanente", Rodrigues disse que o ministro da Fazenda foi o grande responsável pelo pacote de renegociação das dívidas dos agricultores.Mantega, que também participa da Audiência Pública, disse que o governo tem limitações orçamentárias para atender todas as demandas, apesar de reconhecer que a crise agrícola que o Brasil vive hoje é uma das mais sérias de todos os tempos. O ministro fez uma defesa do pacote de ajuda do governo oferecido ao setor agropecuário na semana passada. Na avaliação dele, foi feito o melhor plano de safra já apresentado ao setor agrícola. Agricultura não é mais o destaque no PIBMantega destacou a importância do setor agrícola para toda a economia brasileira e apontou a contribuição do setor para crescimento do PIB nos últimos 10 anos. Ele destacou que, em muitos anos desse período, a média do PIB agrícola ficou acima do da indústria e dos serviços, o que não ocorreu no ano passado.Hoje, o IBGE divulgou o PIB do primeiro trimestre. Para se ter uma idéia, dentre os três setores que compõem o indicador, Agropecuária, Indústrias e Serviços, houve crescimento no período, tomando como base o último trimestre de 2005. Contudo, a agropecuária não foi o destaque. Os avanços foram de 1,1%; 1,7% e 0,8%; respectivamenteRazões para as perdas na agriculturaRodrigues fez um resumo dos fatores que prejudicaram a agricultura nos últimos anos. Ele lembrou que a crise não começou em 2005, ou em 2006. E que a situação do setor vem se agravando nos últimos 3 anos. O primeiro fator responsável pela crise, na avaliação do ministro, foi o aumento do custos de produção, impulsionado pelo crescimento da demanda mundial por insumos. Ele observou que subiu o preço do combustível, óleo diesel e do aço.O segundo ponto foi a queda dos preços agrícolas no ano passado, como resultado da produção mundial recorde de soja, trigo, arroz, algodão e milho. O terceiro ponto foi a seca que castigou no ano passado várias regiões do País. A Região Sul foi a mais castigada. Rodrigues comentou que no Rio Grande do Sul a produção de soja caiu 80% em 2005. A perda na safra agrícola do País foi de 19 milhões de toneladas.Paralelo a esses a fatores, também houve, segundo ele, "um descasamento no câmbio". Em 2004, o dólar valia entre R$ 3,10 e R$ 3,20 no momento do plantio da safra. Quando a safra foi colhida, a cotação era de R$ 2,50. Essa cotação valeu para o plantio da safra 2005/06, mas cotação do dólar no momento em que o produtor vende a produção é de R$ 2,10/R$ 2,20. "Esse é um fantasma intransponível", disse o ministro, ressaltando que problemas como logística e infra-estrutura também prejudicaram a atividade agrícola.Rodrigues acrescentou, ainda, que os focos de febre aftosa diagnosticados no ano passado em rebanhos bovinos de Mato Grosso do Sul e no Paraná, dificultaram as vendas de carne ao exterior. A gripe aviária, que ainda não chegou ao Brasil, também prejudicou a atividade rural.Este texto foi atualizado às 17h02.

Agencia Estado,

31 de maio de 2006 | 12h08

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