Rodrigues ganha apoio de ruralistas em evento sobre carne

A abertura do fórum de Competitividade da Indústria e Carnes, que terminou hoje no Hotel Blue Tree, se transformou em um movimento de apoio ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O primeiro apoio veio do presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO). Ele pediu apoio de todo o setor para que o País possa superar "a crise mais grave" enfrentada pela agropecuária brasileira. "Não podemos impor ao ministro Rodrigues a tarja de ter colhido a menor taxa (de desempenho do setor agrícola) e ser o responsável pela reativação da febre aftosa no Brasil", disse Caiado.O deputado sugeriu aos empresários do setor que dessem as mãos ao ministro Rodrigues que, segundo ele, tem sido duramente asfixiado com o contingenciamento de mais de 80% do seu orçamento. Caiado destacou a competência do ministro da Agricultura.Já o presidente da União Brasileira de Avicultura, Zoé Dávila, afirmou que o Brasil precisa acordar para o Ministério da Agricultura. Segundo ele, há 20 anos o Ministério da Agricultura não fazia concurso para a área técnica. Ele lembrou que até o governo passado os ministros da Agricultura permaneciam pouco tempo no cargo. "Qual a firma que resiste trocando seus dirigentes a cada seis meses", indagou ressaltando que apenas Pratini de Moraes ficou um tempo maior no Ministério.O representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, também se solidarizou com a situação do ministro Rodrigues. O ministro Rodrigues não participou da abertura do fórum, embora sua presença estivesse prevista, porque estava reunido com exportadores de frango discutindo medidas de prevenção à gripe aviária.Apoio de Furlan Ministro Furlan declara apoio a Rodriguem em evento sobre competitividade da indústria e carnes, realizado em São PauloA abertura do evento foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que, ao deixar o encontro, também declarou o seu apoio a Rodrigues."O ministro Rodrigues é uma pessoa competentíssima, reconhecida internacionalmente e tem feito um trabalho extraordinário. Por circunstância, foi colocado na ribalta no meio de uma crise que, em boa parte, não foi ocasionada por ele. Tem todo o nosso apoio e solidariedade porque nós sabemos que uma boa parte do sucesso das exportações brasileiras veio do agronegócio e da atuação do ministro Rodrigues e da sua equipe", afirmou Furlan.O ministro afirmou ainda que "a questão da sanidade virou prioridade máxima no governo". Segundo ele, "é de se esperar que medidas mais consistentes devam ser tomadas para preservar os empregos na cadeia produtiva". Ele destacou o trabalho das autoridades brasileiras no exterior para convencer os países a não cometerem "extremos exageros", como Indonésia, que aproveitando os focos de febre aftosa também proibiu a importação de outros produtos do Brasil.Furlan disse que "a possibilidade de ganhos de mercado é infinita". Para ele, é preciso ter um bom produto com bom nível de sanidade, logística e boa propaganda do produto. Furlan disse que este ano, as exportações de carne bovina e de frango devem ficar em torno de US$ 3 bilhões cada. "Mas o espaço continua sendo muito grande", afirmou o ministro.RecursosAo ser questionado se os problemas na agricultura teriam sido provocados por atraso na liberação de recursos, Furlan respondeu que este é um assunto a ser resolvido entre as partes. "Eu trato dos recursos do meu ministério", declarou.Hoje, O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou que seu ministério tenha qualquer responsabilidade no surto de aftosa. Segundo ele, o ministério liberou R$ 90 milhões para a área de defesa animal e vegetal e até o momento foram utilizados apenas R$ 50 milhões.

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