Rodrigues minimiza declarações de Lula sobre aftosa

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, minimizou hoje as declarações dadas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que culpou os pecuaristas pela descoberta de um foco de febre aftosa em Eldorado (MS), o que praticamente paralisou as exportações de carne bovina brasileira.De acordo com Rodrigues, o combate à aftosa tem de ser feito conjuntamente entre o governo federal e os estados. Neste sentido, segundo ele, os estados precisam apresentar planos consistentes de defesa sanitária, e o pecuarista precisa vacinar seu rebanho.Para Rodrigues, "não há culpados pelo aparecimento de um foco de aftosa e nem seria hora de procurá-los. O momento é de combate à doença e de mostrar que todas as ações estão sendo tomadas pelo Brasil para provar que o foco foi isolado".Explicações sobre o orçamentoApós fazer uma longa explanação sobre a origem e a aplicação do orçamento federal em defesa sanitária, evitar críticas ao Ministério da Fazenda e informar que foram utilizados R$ 91 milhões dos R$ 161 milhões destinados ao setor no Orçamento de 2005, Rodrigues garantiu. "Mesmo se tivéssemos (utilizado) todo o orçamento ainda correríamos risco, por sermos um país grande, com 80% da área livre de aftosa", explicou o ministro. "Um país livre de poliomielite ou varíola também pode ter a doença", comparou o ministro.Sem fazer uma estimativa própria sobre o prejuízo causado com a febre aftosa sobre o comércio internacional de carne bovina, Rodrigues afirmou que o setor privado calcula entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão as perdas com o embargo dos países compradores do Brasil. "No entanto, ainda é cedo para falar de alguma coisa, porque não sabemos quando os embargos terão fim", disse.O ministro considerou "difícil" conseguir uma solução para o fim do embargo da União Européia e da Rússia à carne brasileira por meio das missões do governo brasileiro que lá estão. E continuará difícil, segundo ele, mesmo após a visita dele próprio e do presidente Lula à Rússia, na próxima semana.Rodrigues admitiu que é possível, mas não inevitável, a vinda de missões dessas regiões para avaliarem as condições de sanidade do Brasil antes do fim das barreiras. Por fim, o ministro elogiou as condições sanitárias do Mato Grosso do Sul, considerado por ele um estado "moderno e competente na pecuária" e reafirmou: "agora é a hora de acabar com achismos, trabalhar e identificar as causas (do foco). O resto é resto".

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