Rodrigues sai num momento delicado para o agronegócio

A saída do ministro Roberto Rodrigues ocorre num momento difícil para o agronegócio brasileiro, que enfrenta a maior crise dos últimos 40 anos, em função da perda de renda desde2004, estimada pelo governo em R$ 30 bilhões. A quebra de safra provocada pela estiagem e a desvalorização cambial, que derrubou o preço da soja na moeda brasileira, são os principais fatores responsáveis pelas dificuldades atuais.Os agricultores estão indefinidos em relação ao plantio da próxima safra. As estimativas são de que em algumas regiões do Mato Grosso ainda resta mais de 30% da safra de soja para ser comercializada. As medidas de apoio anunciadas pelo governo para atenuar a crise ainda não se tornaram realidade, pois algumas ainda carecem de regulamentação por parte do Ministério da Fazenda. Atuação no ministérioNa sua passagem pelo ministério da Agricultura, a grande briga de Roberto Rodrigues foi por recursos, seja para custear as atividades da pasta ou para financiar os produtores. Uma das principais dificuldades enfrentadas diz respeito à Defesa Sanitária, pois os cortes feitos pelo Ministério da Fazenda no orçamento reduziram os recursos disponíveis para a atividade. O sinal mais claro de que faltava dinheiro para a Defesa foi a descoberta de 41 focos de febre aftosa no rebanho bovino do Mato Grosso do Sul e no Paraná no ano passado. Antes disso, já no seu primeiro ano a frente do Ministério, Rodrigues teve que conviver com um foco da doença no Pará, que não é uma região tradicional de pecuária. Por isso, os focos do ano passado foram um duro golpe para o Ministro.BrigasAinda na briga por recursos, o ministro Rodrigues se viu numa saia justa ao ter dito a parlamentares da bancada do Nordeste que o então ministro do Planejamento, Guido Mantega, era "vagabundo". Na época, Rodrigues negociava junto ao Planejamento uma solução para a greve dos fiscais agropecuários.Outra briga do ministro no governo foi para que a iniciativa privada fosse ouvida nas discussões para a liberalização comercial mundial. Rodrigues criou uma câmara para discutir o assunto, o que desagradou o Itamaraty.Rodrigues também enfrentou resistências na luta pela reformulação da Lei de Biossegurança, que define regras para experimentos e plantio de sementes transgênicas, além de pesquisas com células tronco. Ele conseguiu que a lei fosse reformulada, mas deixou claro na manhã desta quarta-feira que as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estavam demorando muito a sair. "Há 500 projetos não resolvidos.", disse o ministro. Além de ser um líder do agronegócio na iniciativa privada, Rodrigues tinha apoio no Congresso Nacional. Como não é ligado a nenhum partido, ele se movimentava bem junto a todos os parlamentares. Quando questionado se entraria para a política, Rodrigues sempre disse que seu único partido era o do cooperativismo.

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