Roemer diz que austeridade ameaça zona do euro

O líder nas intenções de voto para as eleições gerais holandesas, que serão realizadas no próximo mês, advertiu hoje que o foco exclusivo na austeridade está paralisando a economia do país e pode separar a zona do euro. "Eu não posso dizer se nós vamos ser capazes de manter o euro. A economia europeia está muito ferida pela austeridade", afirmou Emile Roemer, durante lançamento da campanha do Partido Socialista, pelo qual é candidato.

TALITA FERNANDES, ESPECIAL PARA AGÊNCIA ESTADO, Agencia Estado

19 de agosto de 2012 | 17h53

Roemer culpou em parte as falhas do modelo de criação da zona do euro pelos problemas econômicos atuais e disse que "tecnocratas" ganharam poder à custa dos eleitores. Em sua fala, o candidato afirmou também que os países da periferia da zona do euro deveriam ter mais liberdade. "A Europa deveria estar a favor das pessoas, e não de multinacionais e do setor financeiro", afirmou.

O partido de Roemer se beneficiou do ressentimento crescente dos eleitores com as políticas de austeridade lideradas pela Alemanha e os pacotes de resgate da zona do euro. Algumas pesquisas mostram uma clara liderança do candidato socialista em relação ao Partido Liberal do primeiro-ministro, Mark Rutte.

A Holanda vinha sendo uma das economias aliadas do plano de austeridade encabeçado pela Alemanha.

O governo de minoria de Rutte entrou em colapso em abril logo após conversas sobre novas medidas de austeridade. A coalizão de governo concordou com um pacote para reduzir o déficit do Orçamento para níveis inferiores ao limite estabelecido pela União Europeia, de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), até 2013. Pesquisas mostram que os eleitores holandeses podem rejeitar o pacote já que eles estão frustrados com a austeridade e cautelosos em salvar os governos dos países do sul da Europa.

De acordo com pesquisa divulgada neste domingo pelo site Peil.nl, o Partido Socialista - que não apoia o plano de austeridade - conquistaria a maioria dos assentos no Parlamento e elegeria 36 por 150 membros nas eleições marcadas para 12 de setembro, quatro a mais do que o Partido Liberal de Rutte.

A Holanda ainda é considerada uma das mais fortes economias da zona do euro, com baixo desemprego e um recorde de mais de uma década de prudência fiscal. Em 2012, entretanto, as projeções da União Europeia indicam que o país poderá ser uma das regiões com performances mais fraca deste ano, à medida que cortes de gastos e o colapso nos preços dos imóveis pressionam a demanda doméstica.

O Partido Socialista não rejeita as regras orçamentárias da UE, mas quer mais dois anos para implementá-las. Como proposta para reavivar a economia, Roemer quer aumentar os gastos com infraestrutura e escolas. Ele também busca reverter o planejado aumento na idade de aposentadoria, aumentar o salário mínimo e desfazer os cortes de gastos com seguridade social e saúde.

Roemer, que já foi professor de ensino fundamental, se tornou popular por transmitir de forma clara suas mensagens e por seu comportamento alegre e informal. Críticos dizem que as promessas dele poderiam trazer problemas para as finanças públicas. O ministro das finanças, Jan Kees de Jager, um defensor da disciplina orçamentária, disse na semana passada que os comentários de Roemer estão causando mal-estar nos mercados financeiros.

Atualmente, a Holanda está no meio de um colapso imobiliário que tem algumas semelhanças - ainda que não com a mesma gravidade - com o que empurrou a Espanha para uma profunda crise econômica. Um boom no mercado imobiliário nos anos 1990 e 2000, alimentado pelo crédito barato, caminhou para um final abrupto, resultando em queda dos preços dos imóveis e numa nítida contração no setor de construção civil. A crise está afetando o sentimento do consumidor, uma vez que muitos proprietários começaram a guardar mais dinheiro para pagar as hipotecas.

Na última semana, alguns dos maiores bancos do país informaram um aumento na inadimplência, tanto em hipotecas quanto em imóveis comerciais. O regulador bancário da Holanda alertou que uma recessão profunda nos mercados imobiliários poderia agravar os problemas.

"Nós vamos fazer escolhas diferentes", disse Roemer, "não é o ritmo da austeridade que importa, mas a qualidade". As informações são da Dow Jones.

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