Rolls Royce comprará equipamentos brasileiros

A britânica Rolls Royce quer comprar equipamentos para a indústria naval de fornecedores brasileiros. A idéia é que inicialmente a empresa adquira em torno de US$ 2 milhões por ano em equipamentos brasileiros que seriam destinados para as obras da indústria naval em que a Rolls Royce participa nos estaleiros nacionais. Mas, segundo o diretor comercial da empresa no Brasil, Ronaldo Melendez, existe a perspectiva de que as empresas que fornecerem peças para a Rolls Royce no país se tornem seus fornecedores internacionais. "Temos a intenção de incluir no nosso padrão de qualidade de fabricação de peças e de terceirização de serviços, as empresas instaladas em países em que temos grande volume de negócios", explicou no seminário "Nacionalização de Equipamentos", que a empresa está promovendo hoje no Rio para "conhecer de perto o potencial dos fornecedores nacionais".O programa já é desenvolvido pela Rolls Royce em outros países. Na Polônia, por exemplo, em sete anos a empresa substituiu 37% dos equipamentos próprios destinados à indústria local pelos fabricados no próprio país, um negócio de US$ 15 milhões anuais. Na China, o projeto também está em andamento, segundo o vice-presidente do grupo, Oddbjom Eliasson, para desenvolver um potencial de US$ 20 milhões. Segundo o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio, Wagner Victer, o Brasil possui potencial tecnológico para substituir em médio prazo até 40% dos equipamentos trazidos de fora pela Rolls Royce. "Isso significaria para a indústria naval um faturamento em torno de US$ 20 milhões anuais em encomendas", estima. Segundo ele, a Secretaria de Ciências e Tecnologia do Estado do Rio deve lançar até o final do mês de junho um programa de apoios financeiro e capacitação tecnológica para fornecedores da indústria naval que tenham interesse em participar do projeto da Rolls Royce e outros similares de terceirização nas companhias internacionais. A substituição das peças importadas por nacionais pode render economia de até 20% no preço final de alguns equipamentos, estimam técnicos do setor. O Diretor regional da Rolls Royce para a América do Sul, Michael Boden, lembra que a queda nos preços já tem sido verificado no Brasil a partir da retomada da indústria naval. Segundo ele, os valores das embarcações fabricadas em estaleiros nacionais até três anos atrás ficava em torno de 25% acima do cobrado nos estaleiros internacionais. Hoje, esta diferença é de apenas 10%. "Em pelo menos mais dois anos de desenvolvimento da indústria local já será possível obter preços bastante competitivos no Brasil, inclusive para exportar equipamento nesta área", comentou.

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