André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Rombo das contas externas cai quase 40% em um ano

Alta do dólar e recessão econômica explicam o déficit menor em 2015; no ano até novembro, rombo é de US$ 56,4 bi, ante US$ 92,5 bi no mesmo período de 2014

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2015 | 10h58

Atualizado às 11h50

BRASÍLIA - Após um déficit de US$ 4,2 bilhões em outubro, o rombo das transações correntes caiu para US$ 2,9 bilhões em novembro. O resultado surpreendeu positivamente, uma vez que as estimativas do mercado financeiro apontavam para um saldo negativo entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4,6 bilhões. Já a projeção do próprio Banco Central (BC) era de um déficit de US$ 4,5 bilhões. 

Com o resultado, o rombo acumulado no ano soma US$ 56,4 bilhões, uma queda de quase 40% ante o mesmo período de 2014 (-US$ 92,5 bilhões). Já os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 4,9 bilhões em novembro, valor mais do que o necessário para cobrir o rombo das transações correntes. Nos primeiros onze meses de 2015, o ingresso de IDP soma US$ 59,8 bilhões. 

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, comentou que o câmbio e a perda da demanda doméstica explicam esse déficit menor em 2015 e atribuiu ao desempenho da balança comercial a metade dessa diminuição no ano. A outra metade, de acordo com ele, está dividida igualmente nas contas de serviços (25%) e de renda (25%).

O técnico salientou que tanto as exportações quanto as importações recuaram este ano ante 2014, mas que o recuo mais acentuado foi das compras (24%), já que as vendas diminuíram 16%. Ele comentou que os preços dos produtos importados caíram, mas que a queda maior foi da quantidade (12%), em função da menor atividade econômica. 

Já no caso das exportações, houve reflexo da queda de 26% no preços dos nossos produtos exportados (minério de ferro de 50%, soja de 24% e carne bovina de 8%). Na média, o recuo está em 21%. Maciel ressaltou, no entanto, que há uma recuperação gradual do volume das vendas, com aumento das exportações de 7%. 

Agora, a autarquia prevê que o País fechará o ano com um rombo de US$ 62 bilhões nas transações correntes, menor do que a estimativa anterior (-US$ 65 bilhões). O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem enfatizado que o setor externo tem passado por um importante e célere processo de ajuste, que levará a economia brasileira à retomada mais adiante.

Projeções. O BC também revelou as primeiras projeções para o comportamento do quadro do setor externo de 2016. O rombo das transações correntes do ano que vem somará US$ 41 bilhões, patamar bem menor do que a nova estimativa para 2015. 

No caso da balança comercial, a expectativa é de um saldo positivo de US$ 30 bilhões em 2016 ante projeção também atualizada hoje para 2015, de US$ 15 bilhões. Esse resultado será formado, de acordo com o BC, por exportações de US$ 190 bilhões e importações de US$ 160 bilhões.

A grande diferença de 2015 para 2016, portanto, se dá pela expectativa menor das compras a serem feitas pelo Brasil no exterior. Mesmo com a perda do grau de investimento brasileiro pela segunda agência de classificação de risco (Standard & Poor's e Fitch), o BC acredita que o IDP seguirá forte e projeta US$ 60 bilhões de entradas no ano que vem ante US$ 66 bilhões de 2015. O volume será mais do que suficiente para cobrir o déficit externo de 2016.

Na avaliação do BC, dólar e economia fraca continuarão a pesar na decisão do brasileiro de viajar para o exterior e projeta gastos de US$ 9 bilhões. A nova estimativa para este ano com essa rubrica é de despesas no valor de US$ 11,7 bilhões. 

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